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BRAGANÇA: SETOR APÍCOLA SOB AMEAÇA DEVIDO A IMPORTAÇÕES MASSIVAS

O setor da apicultura no distrito de Bragança enfrenta uma crise profunda com a entrada massiva de mel proveniente da China e da América do Sul no mercado nacional. A agressividade dos preços de importação e as dificuldades de recuperação após perdas em anos transatos estão a levar muitos produtores locais a ponderar o abandono da atividade, colocando em risco a economia da região que detém o maior número de apicultores em Portugal.


A região de Bragança, pilar central da produção apícola em Portugal, atravessa um período de incerteza crítica que ameaça a sustentabilidade de milhares de explorações familiares e profissionais. De acordo com informações avançadas esta manhã pelo Jornal de Notícias, o mercado nacional está a ser inundado por mel importado da China e de vários países da América do Sul, cujos custos de produção e preços finais de venda tornam a concorrência incomportável para os produtores transmontanos.

Bragança destaca-se estatisticamente como o distrito com a maior representatividade no setor — um dado reforçado por indicadores que apontam para a dominância regional com mais de 13 mil unidades produtivas ou registos estatísticos de relevo —, mas o cenário atual é de forte retração. Manuel Gonçalves, um dos rostos do setor ouvidos na reportagem, sublinha que muitos apicultores que perderam grande parte do seu efetivo em campanhas anteriores, devido a condições climatéricas extremas e à proliferação de doenças nas colmeias, mostram-se agora hesitantes em reinvestir. A pressão sobre os preços nas grandes superfícies comerciais tem favorecido o produto importado, frequentemente de qualidade inferior, em detrimento do mel de Denominação de Origem Protegida característico do Nordeste Transmontano.

O impacto desta crise ultrapassa a vertente económica, atingindo a biodiversidade local, uma vez que a redução do número de colmeias compromete a polinização essencial para a agricultura regional. Os produtores exigem agora mecanismos de fiscalização mais apertados sobre a rotulagem e medidas de apoio direto para travar o declínio do setor.


Redação

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