INTERNACIONAL
KREMLIN TRAVA EXPECTATIVAS DE TRUMP SOBRE CIMEIRA “RÚSSIA – UCRÂNIA”
Moscovo exige preparação “com o máximo rigor” e desvaloriza um encontro iminente. O Presidente dos EUA recua ligeiramente na sua garantia, enquanto líderes europeus como Macron e Stubb expressam “a maior dúvida” sobre as intenções de Putin.
O Kremlin desvalorizou, esta quarta-feira, a perspetiva de uma cimeira iminente entre Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky, temperando o otimismo gerado pelo anúncio do Presidente dos EUA, Donald Trump. O próprio Trump mostrou-se mais cauteloso, admitindo que Putin pode não estar interessado num acordo, enquanto os líderes europeus manifestam um profundo ceticismo sobre as verdadeiras intenções de Moscovo.
Depois de Trump ter anunciado na terça-feira que agendaria um encontro a três, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, veio impor condições, afirmando que qualquer reunião teria de ser preparada “com o máximo rigor” e não em nome de “cobertura mediática”. Fontes diplomáticas relataram ainda que Putin terá sugerido a Trump que Zelensky viajasse a Moscovo para as conversações, uma proposta considerada inaceitável para Kiev.
O próprio Presidente norte-americano também moderou o seu discurso. Numa entrevista na noite de terça-feira, sugeriu que “seria melhor” se Putin e Zelensky se encontrassem primeiro sem ele, e admitiu que “é possível que [Putin] não queira fechar um acordo”. Esta nova cautela reflete, segundo analistas, uma maior compreensão das complexidades do conflito.
O ceticismo é ainda mais evidente entre os líderes europeus. O presidente francês, Emmanuel Macron, considerou Putin “um predador e um ogre à nossa porta” e expressou “a maior dúvida” sobre a sua vontade de alcançar a paz. Na mesma linha, o presidente finlandês, Alexander Stubb, afirmou que Putin “raramente é de confiança”.
Apesar do impasse, a pressão diplomática continua. Chefes militares da NATO reúnem-se hoje virtualmente, enquanto o chefe militar do Reino Unido está em Washington para discutir o possível envio de uma força de segurança para a Ucrânia, caso um acordo de paz seja alcançado.
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