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SAÚDE: 13% DAS MORTES OCORRE NAS URGÊNCIAS HOSPITALARES- ESTUDO

Uma investigação liderada pela Universidade de Coimbra revela que, entre 2015 e 2021, 13,2% de todas as mortes no país aconteceram nos serviços de urgência, uma percentagem crescente e muito superior à de outros países desenvolvidos. Os doentes com demência são particularmente afetados, com 15,7% a falecer neste contexto, o que levanta sérias questões sobre os cuidados paliativos e em fim de vida em Portugal.

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Mais de uma em cada dez mortes em Portugal (13,2%) ocorreu nos serviços de urgência entre 2015 e 2021, uma percentagem que tem vindo a aumentar e que coloca o país como um caso raro a nível internacional. A conclusão é de um estudo liderado pela Universidade de Coimbra, publicado na revista científica Annals of Emergency Medicine, que alerta para as falhas nos cuidados paliativos e em fim de vida.

A investigação, que analisou o período de sete anos, mostra uma tendência de agravamento, com a percentagem de mortes nas urgências a subir de 10,6% em 2015 para 14,3% em 2021. O estudo destaca que os doentes com demência são um dos grupos mais vulneráveis, com 15,7% a falecer neste ambiente, um valor superior ao dos doentes oncológicos.

O que torna estes dados ainda mais alarmantes é a comparação internacional. Dos 35 países analisados, apenas Portugal, os EUA e a África do Sul registam sistematicamente estas mortes, com Portugal a apresentar uma taxa (13,2%) que é mais do dobro da norte-americana (6,4%).

A coordenadora do estudo, Bárbara Gomes, sublinha a importância de garantir que as equipas das urgências estejam preparadas para responder a necessidades paliativas e de reforçar o cuidado domiciliário sempre que possível. O projeto de investigação, financiado pelo Conselho Europeu de Investigação, pretende criar uma classificação internacional dos locais de morte que inclua as urgências, para que esta realidade deixe de ser ignorada e se possam alinhar os cuidados “com as preferências dos doentes e das suas famílias”.


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