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MIRANDA DO DOURO: PASTORES DESESPERADOS COM ATAQUES DE LOBOS

Produtores de ovinos e caprinos dos concelhos de Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro falam numa situação “insuportável” e “insustentável”, com prejuízos avultados e um sentimento crescente de medo e desmotivação. Apelam aos Ministérios da Agricultura e do Ambiente para que intervenham urgentemente, questionando a eficácia das medidas de proteção e das indemnizações, enquanto os ataques se sucedem, por vezes durante o dia e perto das aldeias.

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Os pastores do Planalto Mirandês estão a viver um clima de “calamidade”, com ataques de lobos que afirmam ocorrer “quase todos os dias”, causando “avultados prejuízos” e um sentimento generalizado de medo. Produtores dos concelhos de Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro exigem uma intervenção urgente do Governo, afirmando que a situação se tornou “insuportável”.

“Apelamos ao Ministério do Ambiente e ao Ministério da Agricultura que tomem mão desta calamidade”, desabafou António Padrão, um pastor que, como outros, anda com “o credo na boca”. “Se eles [Governo] querem proteger o lobo, têm de criar condições para o efeito, já que não há nada que os segure, nem os cães nem vedações”, acrescentou, relatando que já teve de afugentar um lobo “em plena luz do dia” e que agora dorme no estábulo por receio.

O sentimento é partilhado por Viriato Domingues, de Uva (Vimioso), que em junho perdeu 20 ovelhas e quatro cordeiros e ainda aguarda pela indemnização. “Os ataques lobos acontecem praticamente todos os dias”, afirmou, alertando que, se nada mudar, os pastores terão de “tomar uma posição”. Isidro Carvalhino, outro produtor, reforça a indignação: “Se eles querem tratar dos lobos, […] o dinheiro que as entidades recebem também tem de servir para lhes comprar alimento, para não haver tantos ataques”.

Os pastores apontam a falta de alimento na floresta, agravada pelos incêndios, como uma das causas para os lobos se aproximarem das aldeias. “Eu tive um ataque de lobos a cem metros da minha casa entre as seis da manhã e o meio da tarde”, contou Isidro, sublinhando a crescente ousadia dos animais.

Embora o ICNF tenha registado 32 ataques até meados de setembro de 2024, os pastores garantem que o número real é muito superior. A questão das indemnizações continua a ser um foco de tensão. Mesmo com a revisão prevista no programa “Alcateia 2025-2035”, os valores pagos (60 a 70 euros) ficam muito aquém do valor de mercado de uma ovelha (até 250 euros), deixando os produtores com a maior fatia do prejuízo.

O ICNF remeteu explicações para mais tarde.


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Redação

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