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BOMBEIROS: ESTADO NÃO PAGOU DESPESAS EXTRAORDINÁRIAS DOS INCÊNDIOS

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes, denuncia que as corporações ainda não foram ressarcidas das despesas extraordinárias (alimentação, combustíveis, viaturas) do combate aos fogos deste ano, não recebendo verbas desde maio. O caso de Trancoso, que teve despesas de 200 mil euros e só recebeu 50 mil de adiantamento, exemplifica a “asfixia financeira”. A Proteção Civil confirma a dívida e promete pagar “com a maior brevidade possível”.

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A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) denunciou que as corporações de bombeiros ainda não receberam os cerca de 20 milhões de euros referentes às despesas extraordinárias do combate aos incêndios rurais deste ano. O presidente da LBP, António Nunes, alertou para as dificuldades financeiras das associações, que não recebem estes pagamentos da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) “desde maio”.

António Nunes sublinhou à Lusa que a maior preocupação se refere aos meses de verão, especialmente agosto, período em que “essas despesas cresceram muito além do esperado” devido à severidade dos incêndios. A época de fogos, que este ano foi a quarta pior de sempre em área ardida (270.000 hectares), terminou, e as faturas de junho, julho, agosto e setembro continuam por pagar.

Estas verbas são “extraordinárias” e não se confundem com o orçamento do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), que este ano foi de 41 milhões de euros. Cobrem custos essenciais como alimentação, combustíveis e reparações de veículos sinistrados.

O presidente da LBP deu o exemplo da corporação de Trancoso, que, num dos maiores incêndios do ano, teve despesas de 70 mil euros em combustível e 130 mil euros em refeições. Apesar de o Governo ter antecipado um adiantamento de 50 mil euros para os casos mais graves, esse valor foi manifestamente insuficiente.

Contactada pela Lusa, a ANEPC confirmou a dívida, estimando o montante em “aproximadamente 20 milhões de euros”. A Proteção Civil garante que o processo de “recálculos” está em curso e que os pagamentos serão feitos “com a maior brevidade possível”. A ANEPC informou ainda que 13 corporações (o total das que solicitaram) receberam o adiantamento de 50 mil euros e que, nos últimos meses, foram pagos valores pendentes relativos ao período de 2017 a 2022.


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Redação

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