REGIÕES
VIMIOSO: ICNF ADMITE 83 ANIMAIS MORTOS EM DOIS MESES NO PLANALTO MIRANDÊS
O Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) revelou hoje que, entre 25 de julho e 2 de outubro, registou 22 ataques de lobos nos concelhos de Vimioso, Miranda do Douro e Mogadouro, que resultaram na morte de 83 animais (na sua maioria ovinos). Os números surgem após um coro de protestos dos pastores da região, que classificam a situação como “insuportável” e uma “calamidade”, e pedem a intervenção urgente dos Ministérios da Agricultura e do Ambiente.
O Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) confirmou, em resposta à agência Lusa, ter registado 22 ataques atribuídos a lobos no Planalto Mirandês num período de pouco mais de dois meses (25 de julho a 2 de outubro). Estes incidentes, ocorridos em Vimioso, Miranda do Douro e Mogadouro, resultaram na morte de 83 animais e afetaram um total de 113, na sua maioria ovelhas.
Estes dados oficiais surgem numa altura de enorme tensão na região, com os produtores pecuários a queixarem-se de “avultados prejuízos” e a denunciarem ataques “quase diários”, muitos deles perto das aldeias. “Apelamos ao Ministério do Ambiente e ao Ministério da Agricultura que tomem mão desta calamidade, porque se está tornar insuportável”, afirmou recentemente António Padrão, um dos muitos pastores que se dizem “assustados e desmotivados”.
Apesar da recente vaga de ataques, o ICNF sublinha que o fenómeno “não é novo” e que, na verdade, se verifica uma “redução significativa nas últimas duas décadas”. “Há cerca de 20 anos registaram-se mais de 300 prejuízos anuais nesta área”, indicou o instituto, atribuindo a descida à diminuição do número de ovelhas, à menor presença regular do lobo e ao reforço de medidas de proteção, como o uso de cães de gado.
O ICNF garante que “todos os prejuízos causados por lobos são compensados” e recorda que está em curso o “Programa Alcateia 2025-2035”, dotado de 3,3 milhões de euros, que contempla a revisão dos valores das indemnizações e a promoção de medidas de proteção.
Contudo, os pastores, como Viriato Domingues, que perdeu 20 ovelhas em junho e ainda não foi notificado para receber a indemnização, ameaçam “tomar uma posição” se nada mudar. “Os pastores estão a ser muito prejudicados com esta situação”, reforçou Isidro Carvalhino, outro produtor, sugerindo que as organizações que protegem o lobo (espécie protegida em Portugal) também deviam “comprar alimento” para os animais selvagens, evitando os ataques.
Versão Rádio:




