REGIÕES
GREENPEACE AVISA “ABANDONO RURAL AGRAVA INCÊNDIOS” – COP30
A diretora executiva da Greenpeace para Portugal e Espanha, Eva Saldaña, afirmou que o abandono do campo é a principal causa dos incêndios extremos. A organização acusa a Europa de “imobilismo” e de metas de descarbonização insuficientes, após um ano que foi o terceiro pior de sempre em área ardida em Portugal e que bateu recordes de emissões de carbono.
O abandono rural, a falta de gestão florestal e as metas de descarbonização insuficientes da União Europeia estão a agravar os incêndios em Portugal e Espanha, que enfrentam efeitos cada vez mais extremos da crise climática. O alerta foi dado esta terça-feira pela diretora executiva da Greenpeace para Espanha e Portugal, Eva Saldaña, em declarações à Lusa a partir da Cimeira do Clima (COP30), no Brasil.
“O mais importante é a gestão florestal e a gestão do território. O que estamos a viver nestes dois países é o abandono rural, o abandono do campo e das pessoas que vivem nele”, afirmou Eva Saldaña.
A responsável da organização ambientalista defendeu que os verdadeiros “guardiões das florestas” são “as pessoas que vivem no território, as comunidades locais, as pessoas ligadas à agricultura e à pecuária”. Para a Greenpeace, a solução passa por investir no desenvolvimento rural, dotando estas populações de serviços e recursos para que possam prevenir os incêndios e atuar quando eles acontecem.
Eva Saldaña foi também muito crítica da ação política, acusando Portugal, Espanha e a própria União Europeia de “imobilismo” e de não acompanharem o ritmo exigido pela ciência. “A Europa definiu uma meta de 90% de redução das emissões […] até 2035, quando já deveria estar muito próxima dos 100%”, denunciou.
Este alerta surge após um dos verões mais devastadores de que há memória. Em 2025, Portugal teve o terceiro pior ano de sempre em área ardida (254 mil hectares até final de agosto) e registou quatro mortes. Em Espanha, arderam mais de 350 mil hectares. Segundo o serviço europeu Copernicus, as emissões de carbono resultantes destes incêndios na Europa foram as mais elevadas dos últimos 23 anos.
A Greenpeace leva três exigências centrais à COP30: um plano global para proteger as florestas, o abandono total dos combustíveis fósseis e um financiamento climático robusto para os países do Sul Global.
Versão Rádio:




