INTERNACIONAL
UCRÂNIA: AUMENTO DRÁSTICO DE VÍTIMAS E “TORTURA SISTEMÁTICA”
Um novo relatório das Nações Unidas revela um cenário devastador na Ucrânia. À medida que a invasão russa se aproxima dos quatro anos, o número de vítimas civis disparou 40% nos últimos seis meses. A ONU denuncia ainda ataques sustentados à rede energética, que deixam populações sem luz durante 18 horas, e “padrões contínuos” de tortura de prisioneiros.
A guerra na Ucrânia está a tornar-se mais mortífera para os civis. Um relatório divulgado hoje, terça-feira, 9 de dezembro, pela Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU (HRMMU), aponta para “várias tendências preocupantes” no período entre junho e novembro de 2025, com um aumento significativo de mortes e feridos.
Segundo os dados recolhidos, 1.420 civis foram mortos e 6.545 ficaram feridos nestes seis meses. Julho foi o mês mais sangrento desde abril de 2022. Estes números representam um aumento de quase 40% face ao semestre anterior. Entre as vítimas estão dezenas de profissionais de saúde, bombeiros e trabalhadores humanitários.
O relatório destaca ainda o ataque mais mortífero na Ucrânia Ocidental desde o início da invasão: a 19 de novembro, um bombardeamento combinado em Ternopil matou pelo menos 36 civis.
Apagões de 18 horas e Tortura A vida nas zonas de linha da frente tornou-se insustentável. A ONU descreve cidades onde hospitais foram destruídos e onde a população, especialmente idosos, ficou sem água ou aquecimento. A estratégia russa de atacar a rede energética intensificou-se em outubro e novembro de 2025, com oito ondas de ataques que causaram cortes de eletricidade diários de até 18 horas.
No campo dos direitos humanos, a situação é igualmente grave. A ONU denuncia “padrões contínuos de tortura e maus-tratos sistemáticos” de prisioneiros de guerra ucranianos e detidos civis. O relatório documenta ainda o aumento de execuções extrajudiciais: foram confirmados incidentes credíveis de execução de 10 militares ucranianos pelas forças russas e de 4 militares russos pelas forças ucranianas.
Nas áreas ocupadas pela Rússia, os civis enfrentam uma pressão crescente para adotar a cidadania russa, tornando a vida diária “quase impossível” sem esse passaporte.
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