NACIONAL
PREJUÍZOS DE 4 MIL MILHÕES: MARCELO PEDE “CANAL” DE IMIGRANTES
A fatura da tempestade “Kristin” já supera os quatro mil milhões de euros. O Presidente da República apela à vinda de imigrantes para ajudar na reconstrução. Com 76 mil casas ainda sem luz e milhares de ocorrências, o Governo avança com apoios à agricultura e a CNE admite adiar eleições.
Portugal continua a lidar com as graves consequências da passagem da depressão “Kristin” e de outras perturbações climáticas, com os custos da tragédia a serem avaliados em mais de quatro mil milhões de euros pelo Ministro da Economia. A situação de calamidade levou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a visitar as zonas mais afetadas, apelando à prudência face à persistência da chuva e defendendo a criação de um “canal” de imigrantes para auxiliar na reconstrução do país. As autoridades registaram milhares de ocorrências e dezenas de deslocados e desalojados nas últimas 24 horas, evidenciando a dimensão do impacto.
A resposta governamental tem-se intensificado para mitigar os efeitos da catástrofe. O Ministro da Agricultura anunciou apoios significativos para o setor da suinicultura, incluindo 500 milhões de euros diretos, uma linha de mil milhões com juro bonificado e o alargamento da moratória bancária, sublinhando a preocupação com os setores económicos mais atingidos. Adicionalmente, o Governo isentou as portagens em trechos das autoestradas A8, A17, A14 e A19, medida em vigor desde 3 de fevereiro, para facilitar a mobilidade nas áreas mais afetadas. A Autoridade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) também interveio, impedindo as empresas de cortar o fornecimento de luz por falta de pagamento nas zonas impactadas, enquanto o apoio de 80% em despesas acima de 10 mil euros foi assegurado para os agricultores.
Os números da Proteção Civil revelam a escala do esforço de resposta. Nas últimas 24 horas, foram registadas mais de 1.700 ocorrências, elevando o total para quase 12 mil desde o início da tempestade, com quedas de árvores, inundações e deslizamentos de terras a serem as tipologias mais comuns. A Força Aérea Portuguesa e outras Forças Armadas mobilizaram mais de 2.100 militares para apoiar a população. No terreno, a situação continua crítica em várias regiões, com destaque para a região Oeste, que contabilizou 22 deslocados e 12 desalojados nas últimas 24 horas, e Alcácer do Sal, onde o caudal do rio Sado continua a subir e a agravar a situação. Apesar dos esforços, cerca de 76 mil clientes permaneciam sem eletricidade, embora a ministra do Ambiente e Energia tenha prometido restabelecer 95% das ligações até sábado.
A tempestade também deixou marcas no património cultural, com a Igreja Nova e a Igreja Velha de Vermoil e a Charolinha da Mata dos Sete Montes a sofrerem danos severos, exigindo reconstrução. A par da emergência, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa considerou a possibilidade de adiar a sua visita a Madrid, prevista para sexta-feira, em função da evolução do quadro climático em Portugal. A gravidade da situação levou ainda a Comissão Nacional de Eleições (CNE) a admitir o adiamento de eleições em zonas declaradas em estado de calamidade, sublinhando o impacto abrangente do mau tempo na vida nacional.




