O valor total dos concursos de obras públicas promovidos em Portugal sofreu uma redução drástica de 44% em maio, fixando-se nos 2.385 milhões de euros. Os dados, revelados esta madrugada pela AICCOPN, indicam um abrandamento significativo no investimento público em infraestruturas, contrastando com o dinamismo registado no início do ano civil.
A Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN) publicou o seu mais recente relatório de conjuntura, onde evidencia uma quebra acentuada na promoção de novos concursos. Segundo o documento, o montante de 2.385 milhões de euros representa uma descida homóloga de quase metade do valor investido em maio do ano passado. Este indicador é crucial para a economia nacional, uma vez que o setor da construção civil é um dos principais motores do Produto Interno Bruto e do emprego em Portugal.
A análise detalhada aponta que, apesar da queda no valor dos concursos lançados, os contratos celebrados e reportados no portal BASE apresentam uma dinâmica distinta, mas insuficiente para compensar a falta de novos projetos de grande envergadura. Especialistas do setor admitem que este recuo possa estar relacionado com atrasos na execução de fundos comunitários e uma maior prudência por parte das autarquias e entidades públicas perante o cenário de instabilidade laboral e subida de custos de materiais.
Além da quebra nos concursos, o relatório sublinha que o consumo de cimento e outros indicadores de atividade no mercado interno também mostram sinais de estabilização ou ligeiro recuo. A AICCOPN alerta para a necessidade de agilizar os processos de licenciamento e lançamento de obras para evitar um hiato produtivo no segundo semestre de 2026. A situação coloca pressão sobre o Governo para que este acelere a execução do Plano de Recuperação e Resiliência em áreas estratégicas.


