Um estudo do GPEARI, do Ministério das Finanças, revela que 31,8% dos trabalhadores em regime de tempo parcial em Portugal o fazem de forma involuntária, por não encontrarem emprego a tempo inteiro. O fenómeno está associado a contratos temporários e a elevados níveis de precariedade laboral.
De acordo com o Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais (GPEARI), o trabalho a tempo parcial em Portugal representava 8,4% do emprego total em 2024. Este valor situa-se abaixo da média europeia e do máximo histórico de 14,7% registado em 2012. No entanto, o estudo sublinha que 31,8% destes trabalhadores permanecem neste regime apenas por não encontrarem vagas a tempo inteiro.
A análise técnica indica que o recurso ao part-time involuntário funciona como um mecanismo de ajustamento das empresas aos ciclos económicos. Em períodos de contração, as entidades patronais reduzem horários ou contratam em regime parcial. Esta situação acarreta riscos para os trabalhadores, nomeadamente a redução de rendimentos presentes e futuros, além de limitar as perspetivas de progressão na carreira e aumentar o risco de pobreza.
O relatório destaca ainda a segmentação do mercado de trabalho. Em 2024, a probabilidade de um trabalhador com contrato temporário estar em regime parcial era de 19,1%, um valor significativamente superior aos 4,3% observados nos contratos permanentes. Embora a taxa de subutilização do trabalho tenha recuado para 10,2% no início de 2026, a intersecção entre o regime parcial e a precariedade mantém-se como um fator de vulnerabilidade social relevante em Portugal.


