Um relatório do Eixo Atlântico divulgado esta quarta-feira conclui que o envelhecimento e o despovoamento rural são fatores estruturais que aumentam a vulnerabilidade de Portugal aos grandes incêndios florestais, com o país a apresentar as associações mais consistentes entre estes indicadores.
O novo relatório do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular, organização que integra quarenta e um municípios de Portugal e da Galiza, estabelece uma ligação direta entre o declínio demográfico e a magnitude dos incêndios florestais. Segundo o documento, que analisa o período entre 2016 e 2026, o envelhecimento da população aumenta a área ardida em Portugal num coeficiente de 0,4557. Este fator, aliado ao despovoamento, é interpretado como uma vulnerabilidade estrutural que potencia os grandes incêndios florestais (GIF), definidos como ocorrências que afetam mais de 500 hectares.
A investigação sublinha que Portugal apresenta as associações mais consistentes entre estes fatores demográficos e a superfície percorrida pelo fogo, superando os dados registados em Espanha e França. No caso português, a perda de população tem um impacto de -0,2666 na estatística de área ardida, o que significa que o abandono de terras de cultivo e pastoreio se traduz diretamente num aumento de hectares afetados. O Centro e o Norte de Portugal surgem como os principais focos destes eventos, com diversas freguesias a registarem densidades elevadas de área ardida acumulada.
Face a este cenário, os especialistas recomendam que a dimensão demográfica seja integrada na análise de risco. Embora os fatores populacionais sejam determinantes, o relatório ressalva que os incêndios são fenómenos complexos. Nesse sentido, qualquer estratégia de prevenção eficaz deve contemplar a gestão florestal, o ordenamento do território, a recuperação da paisagem e a adaptação climática.


