Portugal enfrenta um risco real de escassez de pão, massas e outros bens alimentares básicos em apenas duas a três semanas, caso ocorram bloqueios nos portos nacionais ou nos principais corredores marítimos de importação.
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Portugal enfrenta uma potencial rutura de abastecimentos de cereais, matéria-prima crucial para bens essenciais como pão e massas, num período tão curto quanto duas a três semanas. O alerta é dado por José Palha, presidente da Associação Nacional de Produtores de Cereais (ANPOC), e Luís Ramos, presidente da Associação Portuguesa da Indústria de Moagem e Cereais de Pequeno-Almoço (APICECPA).
Ambos sublinham a elevada dependência externa do país e a vulnerabilidade decorrente de bloqueios em portos ou corredores marítimos de importação. Uma interrupção resultaria na falta generalizada de produtos alimentares básicos, uma vez que os cereais são a base da alimentação humana e animal.
Esta dependência externa acentuou-se significativamente devido a uma quebra acentuada na produção nacional nas últimas décadas. Dados do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP) indicam que a área de cereais praganosos, incluindo trigo e cevada, diminuiu cerca de setenta e sete por cento entre dois mil e quatro e dois mil e vinte e cinco, fixando-se em setenta e sete mil hectares.
Atualmente, Portugal produz apenas entre dezassete e dezanove por cento dos cereais que consome, sendo autossuficiente apenas em arroz. No caso do trigo, a autonomia ronda os escassos seis por cento, com os restantes noventa e quatro por cento a serem importados. As reservas nacionais são estimadas para durar apenas duas a três semanas.


