O setor agrícola em Portugal diminuiu o consumo de água na rega desde 1960, passando de 16000 para cerca de 3000 a 4000 metros cúbicos por hectare. Contudo, as alterações climáticas ameaçam esta evolução, exigindo um investimento contínuo na modernização e eficiência hídrica para garantir a sustentabilidade, alerta o setor.
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O setor agrícola nacional tem evidenciado uma melhoria substancial na gestão dos recursos hídricos destinados ao regadio. Segundo declarações prestadas por Gonçalo Morais Tristão, presidente do Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio (COTR), a intensificação de episódios climáticos extremos requer a manutenção do investimento na eficiência da rega. O objetivo central é salvaguardar a produção agrícola e a sustentabilidade ambiental do território.
Os dados apresentados pelo responsável indicam que, em 1960, o consumo médio geral de água nas explorações agrícolas portuguesas rondava os 16000 metros cúbicos por hectare. Atualmente, este indicador situa-se entre os 3000 e os 4000 metros cúbicos por hectare. Esta evolução resulta da modernização das infraestruturas, do aumento do conhecimento agronómico e do investimento privado na adoção de tecnologias avançadas, tais como sondas de humidade, imagens de satélite e drones para monitorização precisa.
Apesar destes resultados positivos, um estudo conjunto da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR), do COTR e do Instituto Superior de Agronomia adverte para os riscos climáticos futuros. Integrado no projeto «Conhecer para prever o futuro», o documento estima um aumento de 27,5% nas necessidades de água para rega entre 2071 e 2100, no pior cenário climático. O setor sublinha que a resposta não passará pelo aumento dos caudais, mas pela adoção de ferramentas como a inteligência artificial.


