REGIÕES
AROUCA: INCÊNDIO DOMINADO APÓS CONSUMIR 4.500 HECTARES
O incêndio em Arouca foi dominado esta sexta-feira após consumir mais de 4500 hectares de floresta e danificar parte dos Passadiços do Paiva.
O extenso incêndio que deflagrou na passada segunda-feira no concelho de Arouca, no distrito de Aveiro, e que se alastrou aos municípios vizinhos de Castelo de Paiva e Cinfães (Viseu), foi finalmente dado como dominado esta sexta-feira, por volta das 07:00. A confirmação foi dada à agência Lusa por Pedro Araújo, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
Segundo o responsável, o incêndio “não tem nenhuma frente que evolua desfavoravelmente, fora do controlo dos bombeiros”, trazendo um alívio muito esperado para as populações e para as centenas de operacionais que combateram as chamas ao longo de quase cinco dias.
Apesar de dominado, o dispositivo de combate e rescaldo no terreno permanece robusto. Às 07:00 da manhã, ainda se encontravam mobilizados 426 operacionais, apoiados por 157 meios terrestres, para garantir a consolidação do perímetro e evitar possíveis reacendimentos.
Rasto de Destruição: Milhares de Hectares e Danos Significativos
As primeiras estimativas apontam para uma área consumida superior a 4500 hectares de floresta, com o perímetro do incêndio a atingir uns impressionantes 48 quilómetros.
O fogo deixou um rasto de destruição considerável. Para além da vasta área florestal, as chamas provocaram danos numa casa devoluta, em diversos anexos agrícolas e causaram estragos ligeiros em duas habitações.
Um dos golpes mais duros para a região foi a destruição parcial dos célebres Passadiços do Paiva. A infraestrutura, uma das principais âncoras do turismo e da economia local de Arouca, foi novamente atingida por um incêndio, depois de um episódio semelhante em 2024. O encerramento preventivo dos passadiços e da ponte suspensa 516 Arouca já tinha sido decretado no início da semana, mas não foi suficiente para evitar os danos. A extensão total do prejuízo na estrutura de madeira ainda está a ser avaliada.
Resposta e Investigação
A dimensão do incêndio levou as autoridades portuguesas a solicitar assistência de satélite à União Europeia, através do sistema Copernicus, para mapear a extensão total da área ardida. A autarca de Arouca, Margarida Belém, já veio a público apelar ao Governo para que sejam criadas medidas de apoio para compensar os residentes e os negócios afetados pela catástrofe.
No decorrer das operações de combate, na quarta-feira, a Polícia Judiciária, com a colaboração da GNR, deteve uma mulher de 56 anos por suspeita de ter ateado um foco de incêndio em Arouca. Segundo a PJ, o ato terá sido praticado com recurso a chama direta, “alegadamente num quadro de consumo de bebidas alcoólicas”. As autoridades investigam agora a possível ligação deste ato ao início do grande incêndio que devastou a região.




