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CARÊNCIA DE RECURSOS NO ENSINO ESPECIAL AFETA MILHARES DE ALUNOS EM PORTUGAL

Portugal regista quase 100 mil alunos com necessidades educativas específicas para apenas oito mil docentes da área. O aumento de 29% destes estudantes na última década, aliado à escassez de terapeutas, sobrecarrega as famílias e compromete janelas críticas de intervenção precoce no ensino.

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Portugal regista quase 100 mil alunos com necessidades educativas específicas para apenas oito mil docentes da área. O aumento de 29% destes estudantes na última década, aliado à escassez de terapeutas, sobrecarrega as famílias e compromete janelas críticas de intervenção precoce no ensino.


Os dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência revelam que, no presente ano letivo, o sistema educativo conta com 98.200 alunos com medidas de suporte à aprendizagem, um crescimento acentuado face à última década. Para responder a esta procura, o número de docentes de Educação Especial mantém-se abaixo dos oito mil, resultando numa média de um professor para cada 12 alunos. Esta escassez estende-se a áreas como a psicologia e as terapias da fala e ocupacional, motivando críticas de associações e diretores escolares, que classificam o setor como o mais desfavorecido do sistema de ensino.

O défice de respostas públicas tem impulsionado a procura pelo setor privado, onde as famílias tentam evitar a perda de janelas críticas de desenvolvimento. Centros especializados, como a SalusLive em Braga, reportam um aumento expressivo na procura de apoio externo enquanto as crianças aguardam avaliações ou medidas estatais. Este cenário gera um impacto financeiro e emocional significativo, com custos acumulados em terapias semanais e desgaste na gestão diária das necessidades dos menores, agravando a desigualdade no acesso à educação inclusiva.

Especialistas alertam que o atraso na intervenção prejudica a plasticidade cerebral característica dos primeiros anos de vida, comprometendo a eficácia das terapias a longo prazo. A dependência de recursos familiares cria uma clivagem entre quem pode assegurar apoio imediato e quem permanece em listas de espera prolongadas. A necessidade de reforço da capacidade de resposta dos sistemas educativo e de saúde é vista como fundamental para garantir que a condição socioeconómica não determine o sucesso do desenvolvimento de cada criança.


Redação

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