INTERNACIONAL
ANGOLA: 40% DAS CRIANÇAS SOFREM DE DESNUTRIÇÃO CRÓNICA
Um relatório do Instituto Nacional de Estatística de Angola revela que 41,2% das crianças com menos de cinco anos sofrem de desnutrição crónica. O documento “Perfil da Criança em Angola” assinala progressos na mortalidade infantil, mas alerta para graves assimetrias regionais no país.
Um relatório do Instituto Nacional de Estatística de Angola revela que 41,2% das crianças com menos de cinco anos sofrem de desnutrição crónica. O documento “Perfil da Criança em Angola” assinala progressos na mortalidade infantil, mas alerta para graves assimetrias regionais no país.
De acordo com o Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde 2023-2024, a desnutrição crónica continua a ser o principal problema nutricional infantil em Angola. Esta condição, que compromete o crescimento físico e o desenvolvimento cognitivo, afeta quatro em cada dez crianças menores de cinco anos. O estudo identifica ainda uma prevalência de 8,3% de desnutrição aguda e 2,5% de sobrepeso nesta faixa etária, relacionando os piores indicadores nutricionais com as províncias que registam maior mortalidade infantil.
Apesar do cenário nutricional, o país registou melhorias em indicadores sociais face ao período de 2015-2016. A taxa de mortalidade infantil baixou de 44 para 32 óbitos por mil nascidos vivos, enquanto o trabalho infantil recuou de 23,4% para 13%. Verificou-se também um aumento na cobertura do registo de nascimento e no acesso a serviços de prevenção do VIH. Contudo, a mortalidade infantojuvenil mantém disparidades acentuadas, com o Cuando Cubango a registar 87 óbitos por mil, em contraste com os nove óbitos verificados em Malanje.
No setor da educação e saúde preventiva, os dados revelam carências estruturais. A taxa líquida de frequência escolar no ensino primário situa-se nos 66%, mas desce para 44% na província do Bié. No que respeita à malária, apenas 22% das crianças até aos quatro anos utilizaram redes mosquiteiras na noite anterior ao inquérito. O INE conclui que, embora exista uma evolução positiva global, persistem dificuldades significativas no acesso a serviços públicos essenciais e assimetrias regionais marcadas.




