O estudo, elaborado pelo Nova SBE Economics for Policy Knowledge Center com o apoio da Fundação “la Caixa” e do BPI, fixa o limiar de pobreza nos 723 euros mensais. Entre 2014 e 2024, o rendimento disponível médio cresceu de 9.856 para 14.951 euros, refletindo um ganho de 25,2% no poder de compra.
Contudo, a desigualdade permanece elevada: os 10% mais ricos detêm quase oito vezes o rendimento dos 10% mais pobres. O desemprego, com uma taxa de 42,6%, e as famílias monoparentais, com 35,1%, registam as taxas de pobreza mais críticas. Regionalmente, o Alentejo e os Açores apresentam os indicadores mais desfavoráveis, em contraste com a Grande Lisboa.
No plano habitacional, 33,4% dos agregados pobres gastam mais de 40% do rendimento em habitação e 30,9% têm dificuldades no aquecimento doméstico. A privação material e social afeta 10,2% da população, sendo a privação severa de 4,3%.
O documento destaca ainda a vulnerabilidade geracional, com 301 mil crianças e 541 mil idosos em situação de pobreza. As transferências sociais são apontadas como um mecanismo decisivo; sem estas prestações, a taxa de risco de pobreza subiria dos atuais 16,6% para os 40,3%.
O relatório baseia-se em dados do ICOR, INE e Segurança Social, analisando também a confiança nas instituições e a privação infantil.


