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VILA NOVA DE FOZ CÔA: PARQUE ARQUEOLÓGICO ASSINALA 30 ANOS DE HISTÓRIA
A descoberta das gravuras do Vale do Côa em 1991 e o subsequente cancelamento da construção de uma barragem em 1996 permitiram a salvaguarda do maior conjunto mundial de arte paleolítica ao ar livre. O complexo, gerido pelo Parque Arqueológico criado para a sua proteção, detém o estatuto de Património Mundial da UNESCO desde 1998, integrando também o sítio espanhol de Siega Verde.
A identificação das gravuras do Vale do Côa em 1991 levou ao abandono da construção de uma barragem em 1996 para preservar o maior conjunto mundial de arte paleolítica ao ar livre. A criação do Parque Arqueológico permitiu a proteção e exibição pública do complexo, que foi classificado como Património Mundial pela UNESCO em 1998. Em 2010, esta distinção foi alargada ao sítio vizinho de Siega Verde, em Espanha, consolidando o estatuto internacional do património rupestre da região.
Por: Vítor Fernandes
A Descoberta e o Impasse da Barragem
Embora o anúncio público da existência das gravuras tenha ocorrido apenas em 1994, os registos indicam que a identificação científica da primeira rocha gravada — a Rocha 1 da Canada do Inferno — remonta ao final de 1991. O achado foi realizado pelo arqueólogo Nelson Rebanda, que acompanhava os trabalhos de construção de uma barragem no rio Côa.
Apesar de as populações locais, nomeadamente pastores e moleiros que frequentavam as margens do rio, terem conhecimento prévio das figuras rupestres, a ausência de enquadramento científico impediu, até então, a datação e o reconhecimento da sua antiguidade recuada. A confirmação do valor histórico das gravuras gerou um imediato conflito de interesses, uma vez que a conclusão da infraestrutura hidroelétrica implicaria a submersão total do sítio arqueológico.
A Opção pelo Património
Em 1996, perante a crescente evidência da importância artística e científica dos achados e o aumento do número de sítios identificados desde 1991, o Governo português determinou a suspensão definitiva da construção da barragem. Esta decisão política, fundamentada no parecer de especialistas, priorizou a preservação da integridade do complexo rupestre em detrimento do projeto energético.
Nesse mesmo ano, foi instituído o Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC), estrutura com a missão de assegurar a proteção, o estudo e a fruição pública das gravuras.
Reconhecimento Internacional pela UNESCO
O processo de valorização do Vale do Côa atingiu o seu expoente máximo a 2 de dezembro de 1998, data em que a UNESCO classificou os núcleos de gravuras rupestres como Património Mundial. Esta distinção consolidou um novo paradigma em Portugal relativamente ao estatuto da Arqueologia e do Património Cultural.
A relevância deste complexo transfronteiriço foi reforçada em 2010, quando a classificação da UNESCO foi alargada ao sítio de Siega Verde, localizado em Ciudad Rodrigo, Espanha. Esta extensão reconheceu a continuidade geográfica e cultural da arte paleolítica na região, integrando ambos os locais numa lista de proteção global única.
| Datas Chave | Evento |
| 1991 | Identificação da primeira rocha gravada (Canada do Inferno). |
| 1994 | Anúncio público da descoberta das gravuras. |
| 1996 | Abandono da construção da barragem e criação do PAVC. |
| 1998 | Classificação como Património Mundial pela UNESCO. |
| 2010 | Extensão da classificação UNESCO a Siega Verde (Espanha). |
Vítor Fernandes




