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NACIONAL

1 DE DEZEMBRO DE 1640: A RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA – HISTÓRIA

Celebra-se hoje a Restauração da Independência. Há exatos 385 anos, um grupo de quarenta nobres invadiu o Paço da Ribeira, em Lisboa, depôs a representação espanhola e aclamou D. João IV como Rei, colocando um ponto final em 60 anos de domínio filipino. Mas o “Primeiro de Dezembro” foi apenas o início de uma guerra que duraria quase três décadas.

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Celebra-se hoje a Restauração da Independência. Há exatos 385 anos, um grupo de quarenta nobres invadiu o Paço da Ribeira, em Lisboa, depôs a representação espanhola e aclamou D. João IV como Rei, colocando um ponto final em 60 anos de domínio filipino. Mas o “Primeiro de Dezembro” foi apenas o início de uma guerra que duraria quase três décadas.


Como perdemos a independência ?

Para entender o 1.º de Dezembro, é preciso recuar a 1578 e ao desaparecimento do rei D. Sebastião na batalha de Alcácer Quibir. Sem descendentes, a coroa passou para o seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique, que morreu pouco depois. Criou-se um vazio de poder que foi aproveitado por Filipe II de Espanha, que invadiu Portugal e se fez aclamar rei em 1580.

Começava assim a Dinastia Filipina (Filipe I, II e III de Portugal), que durou 60 anos. Se no início a união das coroas respeitou a autonomia portuguesa, com o tempo a situação degradou-se. Portugal viu-se arrastado para as guerras de Espanha, perdeu territórios no Brasil e em África para holandeses e ingleses, e sofreu um aumento brutal de impostos para financiar os conflitos de Madrid.


A Conspiração dos “40 Conjurados”

O descontentamento cresceu entre o povo, o clero e a nobreza. Um grupo de fidalgos, que ficaria conhecido como “Os Quarenta Conjurados”, começou a reunir-se secretamente em Lisboa. O plano era simples, mas perigoso: derrubar o governo espanhol e restaurar a monarquia portuguesa.

Para tal, precisavam de um rei. A escolha recaiu sobre D. João, Duque de Bragança, o nobre mais poderoso do país e neto de D. Catarina (que tinha sido candidata ao trono em 1580). Reza a lenda que D. João hesitou, temendo pela vida, mas foi encorajado pela sua mulher, D. Luísa de Gusmão, com a célebre frase: “Antes rainha por um dia do que duquesa toda a vida”.


A Manhã da Revolução

Às 9h00 da manhã de 1 de dezembro de 1640, os conjurados dirigiram-se ao Paço da Ribeira, onde residia a Duquesa de Mântua, vice-rainha de Portugal em nome de Espanha.

O alvo principal não era a Duquesa, mas sim o seu secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos, um português que colaborava com os espanhóis e que era odiado pelo povo. Vasconcelos apercebeu-se do ataque e escondeu-se num armário, mas foi descoberto, morto a tiro e atirado pela janela para o Terreiro do Paço, num ato que ficou conhecido como a “defenestração”.

A Duquesa de Mântua tentou pedir ajuda, mas foi informada de que não havia nada a fazer. D. João IV foi aclamado Rei de Portugal, dando início à Dinastia de Bragança.


A Guerra da Restauração

O golpe de 1 de dezembro foi um sucesso, mas a independência não estava garantida. Espanha não aceitou a perda de Portugal e iniciou-se a Guerra da Restauração, que durou 28 anos (1640-1668).

Foi um período de batalhas intensas na fronteira (como as Linhas de Elvas, Montes Claros ou Ameixial) e de um enorme esforço diplomático para conseguir o reconhecimento internacional. A paz definitiva só foi assinada em 1668, com o Tratado de Lisboa, onde Espanha reconheceu finalmente a independência portuguesa.

Hoje, o 1.º de Dezembro é feriado nacional, simbolizando a soberania, a identidade e a capacidade de resistência do povo português.


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Vítor Fernandes

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