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EDUCAÇÃO: PROFESSORES ESGOTADOS COM A INDISCIPLINA NAS ESCOLAS

O inquérito internacional TALIS 2024 da OCDE, divulgado esta segunda-feira, revela um paradoxo na educação em Portugal: temos dos professores mais velhos, experientes e com mais qualificações académicas, mas também dos mais sobrecarregados e que mais se queixam de indisciplina. Um em cada três docentes em Portugal aponta o ruído e a desordem como um problema nas suas aulas, e o estudo confirma que as turmas mais difíceis são sistematicamente atribuídas aos professores mais novos.

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Um em cada três professores em Portugal queixa-se de ruído e desordem nas aulas, um dos valores mais altos entre os 55 países analisados pela OCDE, que alerta ainda que os docentes mais jovens e inexperientes ficam sistematicamente com as turmas mais complicadas. As conclusões constam da nova edição do inquérito internacional TALIS 2024, que traça um retrato duro e paradoxal da profissão docente no país.

O estudo revela que os professores em Portugal perdem agora mais tempo a manter a disciplina do que em 2018. Com mais de 33% dos docentes a queixarem-se de indisciplina, o país destaca-se pela negativa, muito acima da média da OCDE (20%).

O TALIS 2024 expõe também uma prática generalizada no sistema de ensino português: as turmas com estudantes mais problemáticos e com mais dificuldades de aprendizagem são atribuídas aos professores com menos experiência. A OCDE alerta que esta situação aumenta o risco de os jovens abandonarem a profissão, sendo que em Portugal, 27% dos professores com menos de 30 anos admite vir a deixar o ensino nos próximos cinco anos.

Apesar destes problemas, o relatório traça o perfil de uma classe docente muito qualificada — mais de 90% tem pelo menos um mestrado, contra a média de 57% da OCDE — mas também envelhecida e sobrecarregada. Mais de metade dos professores portugueses fala em ‘stress’ provocado pelo excesso de trabalho, um valor muito superior à média de 31% da OCDE.


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