NACIONAL
QUERCUS: DOIS TERÇOS DO EUCALIPTAL ARDIDO SÃO CLASSIFICADOS COMO “MATO”
A Quercus alerta que existem “falhas estruturais graves” nos mapas oficiais do território, acusando o Estado de esconder estatisticamente o eucaliptal ardido. Segundo a associação ambientalista, mais de dois terços dos eucaliptos queimados são registados erradamente como “mato”, distorcendo a realidade dos incêndios num ano em que arderam mais de 250 mil hectares.
A associação ambientalista Quercus lançou um alerta sobre a fiabilidade das estatísticas de incêndios em Portugal, afirmando que a classificação oficial da ocupação do solo está a “ocultar” a verdadeira dimensão da área de eucaliptal ardida. Segundo a organização, mais de dois terços desta área florestal afetada pelo fogo acabam por ser contabilizados como “mato” nos relatórios nacionais.
O problema, explica a Quercus, reside na desatualização da Carta de Uso e Ocupação do Solo (COS) e da Carta de Ocupação do Solo Conjuntural (COSc), produzidas pela Direção-Geral do Território. Estas ferramentas, baseadas em ortofotomapas de 2018 e atualizadas apenas de cinco em cinco anos, não conseguem identificar eucaliptais jovens ou em regeneração, classificando-os incorretamente como mato ou vegetação arbustiva.
Como exemplo, a associação aponta o incêndio de Arouca em 2024: embora mais de 80% da área ardida fosse eucaliptal, os dados oficiais registaram 62% como “fogo de mato”. Este cenário repete-se em 2025, ano que já é o quarto pior desde 1996 em termos de área ardida (254.296 hectares).
Para a Quercus, esta distorção estatística compromete a definição de políticas públicas e a eficácia da prevenção. A associação exige a criação de uma plataforma oficial com licenciamento obrigatório e georreferenciação de todas as plantações de eucalipto.




