Quatro mulheres relatam casos de assédio sexual ocorridos em escolas de condução de Braga, Coimbra, Torres Vedras e Setúbal. Os testemunhos apontam para comportamentos abusivos de instrutores num contexto de dependência hierárquica, onde a ausência de provas materiais trava as queixas formais.
Diversos relatos de assédio sexual em escolas de condução têm surgido em cidades como Braga, Coimbra, Torres Vedras e Setúbal. Quatro mulheres descrevem um padrão de comentários impróprios, toques indesejados e mensagens invasivas por parte de instrutores. A relação de dependência para a obtenção da carta de condução é apontada como um fator que inibe a denúncia imediata das ocorrências, dadas as possíveis consequências no processo de aprendizagem.
Ana, de 22 anos, e Beatriz, de 31, detalham episódios que variam entre sugestões de aulas fora de horas e mensagens persistentes com convites pessoais. Ambas referem que, ao tentarem expor a situação, encontraram descrença ou a indicação de que a ausência de provas materiais inviabilizaria qualquer processo. O medo de atrasos na marcação de exames contribuiu para a manutenção do silêncio durante a formação.
Inês e Carolina também partilham experiências de proximidade física excessiva e comentários sobre a aparência, o que gerou quadros de ansiedade e a necessidade de alterar instrutores. As escolas de condução visadas optaram por não comentar os casos relatados, enquanto o IMT e o Ministério Público não responderam aos pedidos de esclarecimento enviados sobre estas queixas específicas.


