O Eurostat divulgou estimativas experimentais que apontam para uma estagnação da pobreza em Portugal. O indicador deverá fixar-se nos 15,4% em 2025, o mesmo valor registado no período anterior. Este resultado interrompe o ciclo de descida observado após a pandemia, quando a taxa recuou de 17% em 2022 para 16,6% em 2023. Atualmente, o limiar da pobreza está fixado nos 723 euros mensais.
O relatório sublinha a importância crucial das transferências sociais. Sem o apoio do Estado, da Segurança Social e do sistema de pensões, a incidência da pobreza em Portugal atingiria 40,7% da população. No contexto da União Europeia, a média deverá situar-se nos 16,4%, com a maioria dos Estados-membros a apresentar uma tendência de estabilidade.
Os dados do Instituto Nacional de Estatística confirmam que os grupos mais vulneráveis continuam a ser as mulheres, com uma taxa de 16,3%, e a população com menos de 18 anos ou mais de 65 anos, onde o risco ascende aos 18%. Fatores como a inflação elevada e o custo da habitação têm agravado a situação de imigrantes e trabalhadores precários. Organizações como a Cáritas e a Rede Europeia Anti-Pobreza alertam para a vulnerabilidade acrescida de cidadãos estrangeiros, que enfrentam maiores taxas de privação material e social severa. O fenómeno dos trabalhadores pobres mantém-se como um desafio estrutural em Portugal, sendo frequentemente exacerbado pela baixa escolaridade, famílias com crianças e pela instabilidade laboral em diversas regiões.


