EFEMÉRIDES
16 DE JUNHO: ARISTIDES DE SOUSA MENDES COMEÇA APOIAR REFUGIADOS (1940)
O cônsul de Portugal em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, iniciou a emissão massiva de vistos a refugiados que fugiam do avanço nazi, desobedecendo às ordens diretas do governo de Salazar.
O cônsul de Portugal em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, iniciou a emissão massiva de vistos a refugiados que fugiam do avanço nazi, desobedecendo às ordens diretas do governo de Salazar.
Em Junho de 1940, a França colapsava sob a invasão das tropas da Alemanha Nazi. Em Bordéus, milhares de refugiados, muitos deles judeus, cercavam o consulado de Portugal na esperança de obter um visto para escapar através da Península Ibérica. No dia 16 de Junho, Aristides de Sousa Mendes, movido por uma crise de consciência e confrontado com a tragédia humana à sua porta, decidiu ignorar a “Circular 14” do Ministério dos Negócios Estrangeiros português, que proibia explicitamente a concessão de vistos a “estrangeiros de nacionalidade indefinida ou contestada” e judeus.
Este ato de desobediência civil, considerado um dos maiores salvamentos individuais do Holocausto, prolongou-se por vários dias. Sousa Mendes emitiu milhares de vistos (estimativas apontam para cerca de 30.000, dos quais 10.000 para judeus), trabalhando exaustivamente com os seus filhos e o rabino Chaim Kruger. Pela sua audácia, o diplomata foi chamado de volta a Lisboa, sujeito a um processo disciplinar e expulso da carreira diplomática, perdendo todos os direitos à reforma e morrendo na miséria em 1954. O regime de Salazar nunca lhe perdoou a insubmissão.
Apenas décadas após a sua morte, o Estado português reconheceu oficialmente o seu heroísmo. Em 1966, o Yad Vashem atribuiu-lhe o título de “Justo entre as Nações”. O dia 16 de Junho marca, assim, o início de um dos capítulos mais dignos da história diplomática mundial e da consciência humana.

Aristides de Sousa Mendes, esposa e os seus sete filhos.




