Um estudo do Banco de Portugal revela que, no final de 2025, 1.241 freguesias portuguesas, correspondentes a 40% do total, não dispunham de qualquer ponto de acesso a dinheiro físico, afetando cerca de 700 mil residentes que necessitam de se deslocar para fora da sua área de residência.
Segundo o relatório do supervisor bancário sobre a rede de acesso a numerário, Portugal encerrou o ano de 2025 com cerca de 18 mil pontos de levantamento ou depósito. Deste total, a maioria concentra-se em caixas automáticas, que representam 14.600 unidades, seguidas de 2.700 agências bancárias e 550 pontos de cash-in-shop. Contudo, a distribuição geográfica revela assimetrias, com 1.241 freguesias sem qualquer ponto de acesso disponível.
O estudo sublinha que as populações mais afetadas residem em zonas rurais, particularmente nos distritos de Bragança e Vila Real, onde mais de 40% dos residentes vivem em freguesias desprovidas destes serviços. No total, cerca de 700 mil pessoas precisam de sair da sua área de residência para aceder a numerário. O Banco de Portugal sinaliza ainda 67 freguesias em situação de maior constrangimento, situadas a mais de 15 quilómetros do ponto mais próximo.
Apesar da redução da rede de balcões e caixas automáticas, que privilegia zonas de maior densidade populacional e atividade económica, o supervisor nota que 95% da população nacional dispõe de um ponto de acesso a menos de cinco quilómetros. O volume de operações em 2025 ascendeu a 29 mil milhões de euros, refletindo a continuidade do uso de dinheiro físico na economia portuguesa.


