O agravamento do custo de vida em Portugal impede que um único vencimento garanta habitação em Lisboa ou no Porto. O salário médio de quem vive sozinho já não compra um T2 nem financia um T1 sem absorver a maioria dos rendimentos líquidos mensais.
A crise de acessibilidade habitacional e a subida contínua do custo de vida estão a impedir que uma pessoa consiga residir sozinha nas duas maiores cidades portuguesas. Nas capitais do país e da região Norte, um salário médio já não permite adquirir um apartamento de tipologia T2, enquanto a remuneração mínima nacional é completamente incapaz de cobrir as rendas médias praticadas para uma habitação T1.
De acordo com indicadores do Eurostat, Portugal registou, no segundo trimestre do ano, o aumento mais acentuado do preço da habitação em toda a União Europeia, atingindo um agravamento de 16,5% em termos homólogos. Esta conjuntura acentuou a sobrecarga financeira suportada pelas famílias e pelos agregados unipessoais. Atualmente, um trabalhador que aufira a remuneração média praticada na capital tem de canalizar cerca de 54% do seu salário líquido para fazer face ao arrendamento de um T1.
Perante este cenário, a emancipação e o acesso a um teto digno tornaram-se inviáveis sem a combinação de dois rendimentos auferidos em casal ou sem património herdado, consolidando barreiras financeiras e estruturais intransponíveis para a população trabalhadora residente nos principais centros urbanos.


