A associação ambientalista Quercus juntou-se esta segunda-feira a uma ação popular para travar a reativação da exploração da Mina da Borralha, em Montalegre. O processo visa anular a Declaração de Impacte Ambiental favorável condicionada emitida pela Agência Portuguesa do Ambiente ao projeto promovido pela empresa Minerália.
A Quercus juntou-se à Associação Povo e Natureza do Barroso no processo judicial destinado a impugnar a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) emitida pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ao projeto da Minerália. A mina, desativada desde 1986, prevê a extração anual de 500 mil toneladas de volfrâmio, cobre e estanho, acumulando 2,7 milhões de toneladas de rejeitados à superfície.
Segundo os ambientalistas, o projeto ameaça os recursos hídricos da bacia do Cávado, que abastecem mais de 1 milhão de pessoas. A organização alerta para a violação dos princípios da prevenção e precaução, apontando que a DIA remeteu aspetos estruturais, como a capacidade da estação de tratamento e a gestão de águas ácidas, para o Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução.
O comunicado sublinha o perigo de descargas na Corga do Caniçó e na albufeira da Venda Nova, além da perda irreversível de 7,48 hectares de carvalhal protegido e 20,6 hectares de desflorestação. A associação adverte ainda para os riscos sobre o lobo-ibérico e espécies piscícolas na Ribeira de Amiar, criticando a exclusão do empreendimento do regime de prevenção de acidentes graves, apesar do uso mensal de 400 toneladas de reagentes perigosos.
À exceção de Montalegre, que rejeita a mina, os restantes municípios da bacia e as comunidades intermunicipais do Cávado e Ave não se manifestaram sobre o projeto.


