DESPORTO
FC PORTO: ANDRÉ VILLAS-BOAS QUER LIMITE DE TRÊS MANDATOS
André Villas-Boas propõe limitar a presidência do FC Porto a 12 anos e revela ter salvo o clube da “ruína financeira”.
Numa intervenção que só agora foi divulgada, o presidente do FC Porto, André Villas-Boas, revelou a sua intenção de propor uma alteração estatutária para limitar os mandatos da presidência do clube a um máximo de três, num total de 12 anos. O líder portista abordou ainda a “ruína financeira” que encontrou e as operações que, segundo ele, salvaram o clube de ser vendido.
A conversa decorreu em junho, durante um evento da Columbia Business School, em Nova Iorque, onde Villas-Boas concluiu uma pós-graduação em Gestão Executiva em 2023. No entanto, o seu conteúdo completo só foi divulgado esta sexta-feira.
“Somos um clube de sócios, que elegem o presidente de quatro em quatro anos. Não temos limite de mandatos”, explicou Villas-Boas. “É algo que queremos fazer para definir um limite de três mandatos, ou seja, uma presidência de 12 anos. É algo que segue as práticas comuns em qualquer ambiente político saudável.”
O presidente reconheceu que “alterar os estatutos do clube é sempre algo sensível”, mas sublinhou ser um “desafio” que a sua direção pretende levar a uma Assembleia Geral (AG) para aprovação dos sócios.
“Estado de Ruína Financeira” e a Vitória Sobre Pinto da Costa
Villas-Boas recordou a sua chegada à presidência, descrevendo-a como um “sentimento de destino”. A sua candidatura avançou contra um ícone do clube. “Decidi ir a eleições contra um presidente fantástico, Pinto da Costa. Esteve lá por 41 anos e eu ganhei as eleições”, afirmou, reconhecendo a herança do seu antecessor. “Estamos a falar de uma pessoa que transformou o clube e que fez do FC Porto o que é neste momento. Vencemos duas Ligas dos Campeões, duas Taças UEFA e um número incrível de troféus”.
Contudo, o agora presidente justificou a sua candidatura com a necessidade urgente de mudança. “Senti que era tempo de impulsionarmos o clube, que estava num estado de ruína financeira. Senti que era tempo de modernizar o clube, levá-lo a outro nível e continuar a expansão internacional”, defendeu, lamentando o jejum de três anos sem o título de campeão nacional. “Estamos ainda a apanhar as peças, a tentar construir uma equipa mais forte para a nova época.”
“Salvação” Financeira Evitou Venda a Fundo
O líder dos “dragões” foi perentório sobre a gravidade da situação financeira que herdou, afirmando que a sua direção teve de agir rapidamente para garantir a sobrevivência do clube como entidade detida pelos sócios.
“Algumas das operações que fizemos salvaram o clube e mantiveram-no como clube de sócios. Caso contrário, provavelmente teria sido vendido a um fundo de investimento ou a um fundo privado”, revelou Villas-Boas.
Esta recuperação financeira, segundo o presidente, foi crucial para dar ao clube condições para poder investir no mercado de transferências e reconstruir a equipa. Assumindo a “grande responsabilidade” da sua posição, Villas-Boas manifestou-se confiante de que estão a ser dados “os passos certos para ter ainda mais sucesso nos próximos anos”, tanto a nível desportivo como financeiro, estrutural e operacional.




