REGIÕES
BRAGANÇA: AUMENTO DA ÁGUA GERA DISCÓRDIA NA AUTARQUIA
O executivo socialista aprovou um aumento das tarifas de água, saneamento e resíduos para 2026, justificando a medida com um défice acumulado superior a 730 mil euros e recomendações da ERSAR ignoradas pelos anteriores executivos. O PSD votou contra, defendendo que o município deve assumir o prejuízo por “justiça social”, enquanto a Iniciativa Liberal questiona as justificações e aponta o dedo à “gestão ruinosa” do passado.
A decisão da Câmara Municipal de Bragança de aumentar as tarifas da água, saneamento e resíduos em 2026 está a gerar forte contestação política. A presidente Isabel Ferreira (PS) justifica a medida como “essencial” para corrigir um prejuízo acumulado de mais de 730 mil euros, mas a oposição, à esquerda e à direita, critica a opção.
Isabel Ferreira explicou à Lusa que se trata de uma “correção tarifária” inevitável face aos avisos da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR). A autarca acusa os anteriores executivos (PSD) de “nada terem feito”, assumindo uma “gestão de risco” que agora obriga a atualizações para evitar “cenários muito mais penalizadores no futuro”.
Na prática, o aumento será de 34 cêntimos/m³ no saneamento, 15 cêntimos/m³ nos resíduos e 22,5 cêntimos/m³ na água. Segundo a autarca, numa fatura média de 25 euros, o aumento será de 72 cêntimos.
Oposição reage O PSD votou contra a medida. A vereadora social-democrata Ana Soares acusou o executivo de ter uma “lógica meramente financeira” sobre um direito básico. “O anterior executivo assumiu sempre o prejuízo global […] precisamente porque entendia que a função de um município é garantir justiça e coesão social”, defendeu.
Isabel Ferreira acusa oposição de “populismo”
“As críticas que se têm feito não passam de populismo”, afirmou Isabel Ferreira, recordando que a deliberação do atual executivo visa estancar uma sangria financeira. Segundo a autarca, o sistema de águas acumula um prejuízo anual superior a 730 mil euros, resultado direto de opções de gestão dos anteriores executivos (PSD), que “ignoraram sucessivamente as recomendações da Entidade Reguladora (ERSAR)”.
Para a presidente, manter as tarifas inalteradas seria continuar uma gestão danosa. Isabel Ferreira esclareceu ainda que este aumento é “fundamental” para realizar investimentos “estruturantes” na rede de abastecimento e saneamento, obras que, segundo a mesma, “até aqui não foram feitas” e que são essenciais para garantir a qualidade do serviço no futuro.
Versão Rádio:




