O custo do cabaz de bens essenciais em Portugal aumentou 1,97 euros na primeira semana de junho, fixando-se em 259,31 euros. A subida de 0,77% interrompe um ciclo de três semanas de descidas, acumulando um agravamento de 38,2% face aos valores registados no início de 2022 pela DECO PROteste.
A monitorização semanal de 63 bens alimentares revela que o custo de vida continua sob pressão em Portugal. Após um curto período de desagravamento, o cabaz essencial voltou a subir, totalizando um aumento de 17,48 euros desde o início de 2024.
Entre 27 de maio e 3 de junho, as variações mais significativas ocorreram no atum em posta (28%), na farinha para bolos (17%) e no esparguete (16%). Numa análise de longo prazo, desde janeiro de 2022, a carne de novilho, os ovos e o bacalhau lideram as subidas, com o novilho a registar um aumento de 125%. Especialistas apontam para riscos externos e internos que mantêm os preços elevados.
O prolongamento do conflito no Médio Oriente surge como uma ameaça central, devido à dependência de combustíveis, energia e matérias-primas essenciais para a produção de fertilizantes. Além do contexto geopolítico, as tempestades registadas no início do ano em território nacional e as quebras nas cadeias de abastecimento globais contribuem para a instabilidade dos mercados. Estes fatores impedem uma descida consolidada dos preços, mesmo após as medidas governamentais de isenção de IVA aplicadas em 2023. Em termos macroeconómicos, os dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que a inflação se fixou nos 3,3% em maio de 2026, confirmando a tendência de aceleração observada desde março. A subida dos preços dos alimentos continua a ser o principal motor desta pressão inflacionista no mercado português.


