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CALOR EXTREMO: UM “INFERNO” DE 45 A 47 GRAUS VAI AFETAR PORTUGAL

Portugal prepara-se para uma onda de calor histórica no início de agosto, com temperaturas que podem superar os 45ºC e quebrar recordes.

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A onda de calor que já afeta Portugal há mais de uma semana prepara-se para uma intensificação drástica e potencialmente histórica nos primeiros dias de agosto. As previsões dos principais modelos meteorológicos indicam uma elevada probabilidade de as temperaturas atingirem os 45ºC em várias regiões do país, com os picos de maior intensidade esperados entre os dias 3 e 5 de agosto, elevando ao máximo os riscos para a saúde pública e o perigo de incêndios florestais.

Embora exista alguma incerteza entre os diferentes modelos de previsão – com o modelo europeu ECMWF a ser mais contido que o americano GFS, que chega a simular 47ºC locais – o consenso aponta para uma situação de calor extremo. O cenário é tão severo que os especialistas consideram haver potencial para quebrar recordes de temperatura em várias zonas do país.

Vaga de calor abrangerá todo o território

Apesar de o calor se fazer sentir de Norte a Sul, o Interior será, como habitualmente, o mais fustigado. As previsões são particularmente agressivas para os vales dos rios Mondego, Tejo e Sado, onde a probabilidade de se ultrapassarem os 45ºC é superior a 50%. O distrito de Coimbra é um dos que gera maior consenso entre os modelos para atingir este patamar.

Temperaturas de 43-44ºC são esperadas na Beira Baixa, e mesmo o interior dos distritos de Viana do Castelo, Porto e Braga poderão superar os 40ºC. O litoral, embora mais fresco, não escapará, com máximas que podem chegar aos 35ºC.

Noites tropicais e risco de incêndio extremo

O calor não dará tréguas durante a noite. Prevê-se que as temperaturas mínimas rondem os 25ºC em grande parte do país, podendo mesmo chegar aos 30ºC nos locais tradicionalmente mais quentes.

De positivo, a confirmar-se, é a ausência de vento forte, o que poderá não agravar ainda mais o risco de incêndio, que será, ainda assim, extremo.

Provável Aviso Vermelho e medidas excecionais

Perante a severidade do cenário, é expectável a emissão de um “Aviso Vermelho” o mais grave, por parte do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Especialistas alertam que, caso as previsões mais graves se confirmem, o Governo deveria considerar a aplicação de medidas excecionais, como a proibição de trabalhos ao ar livre nas horas de maior calor, uma prática já adotada noutros países para proteger a saúde pública.

Até lá, as autoridades de saúde reforçam os cuidados habituais: beber muita água, evitar a exposição solar direta, usar protetor e roupas leves, e dar especial atenção aos mais vulneráveis, como crianças, idosos e doentes crónicos.


Vítor Fernandes

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