CIÊNCIA & TECNOLOGIA
CIÊNCIA: INVESTIGAÇÃO DE COIMBRA DESCOBRE PROTEÇÃO DAS DINAMINAS NO NÚCLEO CELULAR
Cientistas da Universidade de Coimbra identificaram uma nova função das proteínas dinaminas na preservação do ADN e da estrutura do núcleo das células. A descoberta é fundamental para compreender doenças ligadas ao envelhecimento e ao cancro. O estudo revela que, sem estas proteínas, o núcleo celular degrada-se, comprometendo a estabilidade do genoma.
Uma investigação internacional liderada pela Universidade de Coimbra (UC) revelou um papel até agora desconhecido da família de proteínas denominadas dinaminas. O estudo, publicado na revista “Nature Communications”, demonstra que estas proteínas são fundamentais para manter a integridade da membrana nuclear e a estabilidade do genoma, processos críticos na prevenção de doenças associadas ao envelhecimento, como patologias neurodegenerativas e cancro.
Conduzida pelo Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA-Portugal), a investigação comprovou que as dinaminas atuam em conjunto com os microtúbulos do citoesqueleto, funcionando como alicerces que asseguram a arquitetura do núcleo celular.
Os resultados indicam que a ausência destas proteínas — tradicionalmente conhecidas pela sua função no transporte de vesículas — provoca deformações graves na estrutura nuclear e compromete os sistemas de reparação do ADN. Célia Aveleira, primeira autora do estudo, explica que a falta de dinaminas leva à acumulação de material genético danificado, representando uma ameaça direta à estabilidade da célula.
Para a investigadora principal Ira Milosevic, o trabalho oferece novas perspetivas sobre os mecanismos biológicos que previnem o declínio celular. O estudo contou com a colaboração das universidades de Oxford, Sheffield, Nanyang e da Pensilvânia, consolidando o entendimento sobre a base celular do envelhecimento.




