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CIÊNCIA & TECNOLOGIA

CIENTISTAS ESTUDAM A IMUNIZAÇÃO DA COVID-19 E DA GRIPE NUMA MESMA VACINA

Os cientistas britânicos vão investigar a possibilidade de combinar as vacinas da gripe e da Covid-19 numa só para agilizar futuros programas de imunização, avançou o diretor do Centro de Produção e Inovação de Vacinas de Inglaterra.

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Os cientistas britânicos vão investigar a possibilidade de combinar as vacinas da gripe e da Covid-19 numa só para agilizar futuros programas de imunização, avançou o diretor do Centro de Produção e Inovação de Vacinas de Inglaterra.

O centro, fundado por várias universidades do Reino Unido e que conta com 215 milhões de libras (cerca de 252 milhões de euros) de financiamento público, foi anunciado pelo governo em 2018 e a sua construção foi acelerada devido à pandemia, prevendo-se que inicie a sua atividade nos próximos meses.

Combinar as duas vacinas poderia poupar “muito tempo”, disse Matthew Duchards, diretor do Centro de Produção e Inovação de Vacinas (VMIC, na sigla inglesa), acrescentando, em declarações ao diário britânico “The Telegraph”, que seria “muito mais prático” dar apenas uma injeção, pelo que esse será um dos aspetos que cientistas e produtores de vacinas vão estudar.

O diretor do VMIC referiu que o centro biotecnológico, no qual participam a Universidade de Oxford, o Imperial College de Londres e a Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, pode produzir cerca de 70 milhões de doses de vacinas em quatro ou cinco meses a partir do momento em que esteja operacional. Duchards disse que o Reino Unido já tem asseguradas as vacinas necessárias para 2021, pelo que a produção saída do VMIC não será necessária antes do próximo ano.

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DIABETES DIFICULTA O TRATAMENTO DE INFEÇÕES DENTÁRIAS

A diabetes dificulta a cicatrização das infeções ósseas dos maxilares de origem dentária, concluiu um estudo desenvolvido por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC).

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A diabetes dificulta a cicatrização das infeções ósseas dos maxilares de origem dentária, concluiu um estudo desenvolvido por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC).

Essa dificuldade de cicatrização deve-se, de acordo com a equipa de especialistas do Instituto de Endodontia da FMUC que realizou a investigação, à “alteração do processo de formação de novos vasos sanguíneos e consequente deficiência de irrigação sanguínea”, afirma uma nota da Universidade de Coimbra (UC), enviada hoje à agência Lusa.

Para chegar a esta conclusão, a equipa de investigadores, liderada por Manuel Marques Ferreira, avaliou o sucesso de desvitalizações dentárias realizadas em doentes diabéticos, entre 2015 e 2021, e comparou com os resultados obtidos em doentes não diabéticos.

Foi também efetuado um estudo sobre a evolução das infeções dos ossos maxilares de origem dentária e os possíveis mecanismos envolvidos nesse processo, em ratos diabéticos e não diabéticos, acrescenta a UC.

Esta investigação teve como objetivo compreender a associação entre o resultado do tratamento endodôntico e a diabetes mellitus e as alterações do processo angiogénico.

A endodontia, referem os autores do trabalho, é um ramo da medicina dentária que se dedica a tratar doenças que “atingem a parte interna do dente, nervos e vasos sanguíneos, ou prevenir e tratar infeções ósseas dos maxilares com origem em traumatismos ou cárie dentária, através do procedimento clínico conhecido por desvitalização do dente”.

Os resultados obtidos revelam “a influência que a cárie dentária não tratada e as infeções ósseas consequentes têm na saúde da população, em particular nos doentes que sofrem de patologias sistémicas como a diabetes, afirma, citado pela UC, José Pedro Martinho, docente da FMUC e membro da equipa, que inclui também Ana Coelho, Salomé Pires, Margarida Abrantes, Siri Paulo, Ana Catarina Carvalho, Eunice Carrilho, Miguel Marto, Maria Filomena Botelho e Paulo Matafome.

Este trabalho científico, designado “Impairment of the angiogenic process may contribute to lower success rate of endodontic treatments in diabetes mellitus”, foi distinguido recentemente com o prémio “First Overall Best Scientific Presentation”, atribuído no “12th IFEA World Endodontic Congress 202ONE” da Federação Internacional das Associações de Endodontia, que decorreu na Índia.

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GASES DE REFRIGERAÇÃO SÃO 23 MIL VEZES PIORES DO QUE CO2, RECICLAGEM É PRECISA, DIZ INVESTIGADORA

Os gases de refrigeração têm um potencial de aquecimento global 23 mil vezes maior do que o dióxido de carbono e ficam na atmosfera 50 mil anos, alertou hoje a investigadora Ana Pereiro, que salienta a importância da reciclagem.

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Os gases de refrigeração têm um potencial de aquecimento global 23 mil vezes maior do que o dióxido de carbono e ficam na atmosfera 50 mil anos, alertou hoje a investigadora Ana Pereiro, que salienta a importância da reciclagem.

Atualmente a quase totalidade desses gases, os gases fluorados, são libertados para a atmosfera quando se deixam de usar por exemplo automóveis, aparelhos de ar condicionado ou frigoríficos. O projeto de investigação KET4F-Gas, que tem como um dos parceiros a Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Nova de Lisboa, pretende inverter a situação.

Através do projeto foram, nos últimos três anos, desenvolvidas tecnologias inovadoras para separar e reciclar os gases fluorados no fim do ciclo de vida dos equipamentos e as conclusões do projeto são apresentadas hoje, no ‘webinar’ “Solutions for a Sustainable Management of Fluorinated Greenhouse Gases”. O projeto tem também uma componente de sensibilização para o problema, como explicou Ana Pereiro, investigadora principal da FCT e uma das coordenadoras do projeto.

Os gases fluorados (HFC) substituíram no final da década de 1990 os antigos gases usados nos sistemas de refrigeração, conhecidos como CFC (clorofluorcarbonetos), que eram muito destrutivos da camada de ozono. Os HFC foram na altura considerados ideais, sem serem tóxicos ou inflamáveis, e o seu uso aumentou exponencialmente, lembrou Ana Pereiro, salientando que estes gases fluorados têm afinal um “alto potencial de aquecimento global”.

Por isso, disse, o objetivo do projeto é evitar a libertação desses gases e sensibilizar consumidores, indústria e empresas. Por isso o projeto contempla uma ferramenta ‘online’ e gratuita para, por exemplo, o consumido conhecer melhor que tipo de gás usa o equipamento que está a comprar e poder optar pelos menos poluentes.

“Fizemos uma escala semelhante à etiqueta energética”, explicou, acrescentando que do projeto faz parte também um manual de boas práticas para a indústria.

Ana Pereiro salientou que os compostos em questão são seguros e inofensivos quando estão nos equipamentos, mas que o problema surge quando existem fugas. E a verdade é que só entre 01% e 05% desses gases são recuperados dos equipamentos em fim de vida, ainda que existam unidades de reciclagem.

“Muitas pessoas tiram o cobre dos equipamentos e libertam todo o gás para a atmosfera”, alertou a especialista, acrescentando outro dado: no fim do ciclo de vida dos veículos, por falta de incentivos, o gás é libertado para a atmosfera. “Nenhum veículo chega com gás refrigerante e os ares condicionados chegam também sem esse gás”.

Os gases fluorados têm sido objeto de legislação na União Europeia desde 2015, a emissão para a atmosfera é proibida em Portugal desde 2017, e pretende-se substituí-los por alternativas com menor impacto ambiental até 2030, incentivando-se a investigação e de tecnologias para recuperar, separar e reciclar os gases.

Ana Pereiro alerta para o contrabando de gases fluorados e para o não cumprimento dos regulamentos e a falta de fiscalização, porque não há multas. E diz: “O que propomos é que em vez de se sancionar se incentive as empresas a terem boas práticas, que as empresas que instalem equipamentos com esses gases tenham certificação, que todos percebam que estas boas práticas têm de ser implementadas a nível doméstico e industrial”.

O projeto KET4F-Gas, financiado com dinheiros de Bruxelas e com a participação de 13 sócios e seis entidades associadas de quatro países, Portugal incluído, desenvolveu também tecnologias inovadoras para separar e reciclar os gases fluorados no fim do ciclo de vida dos equipamentos. São, nas palavras de Ana Pereiro, dois protótipos “únicos a nível mundial”, que em outubro devem ser implementados em ambiente real numa empresa gestora de resíduos.

Estima-se que em 2050 até 12% do total de emissões globais de gases com efeito de estufa poderão ter a sua origem em HFC, já que se espera que a procura mundial de energia para equipamentos de refrigeração triplique devido ao aumento da temperatura.

Ana Pereiro salientou a importância de um novo olhar para o problema, incentivando-se a recuperação dos gases fluorados (que são inofensivos para quem os maneja e liberta para a atmosfera). Mas também adiantou que para o setor “não há uma solução perfeita”.

Não havendo o refrigerante perfeito, as misturas que dão os gases fluorados são para já a solução, e “se forem usadas de maneira correta são inofensivas”.

Mas é preciso, salienta, explicar tudo isto às pessoas, porque “as pessoas quando pensam em aquecimento global só pensam no dióxido de carbono”.

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INVESTIGADORES DO PORTO EM PROJETO INOVADOR DE COMBATE AO CANCRO DA PRÓSTATA

Investigadores do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde no Porto integram um projeto “inovador” que visa “proporcionar uma resposta integradora no combate” ao cancro da próstata e “colmatar lacunas” ao nível da prevenção e tratamento.

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Investigadores do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde no Porto integram um projeto “inovador” que visa “proporcionar uma resposta integradora no combate” ao cancro da próstata e “colmatar lacunas” ao nível da prevenção e tratamento.

Em declarações à agência Lusa, Acácio Rodrigues, investigador do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS), no Porto, afirmou hoje que o projeto, intitulado “SexHealth & ProstateCancer”, visa “colmatar várias lacunas” no âmbito do cancro da próstata, nomeadamente, ao nível das metodologias de prevenção, tratamento e promoção da saúde e qualidade de vida dos homens com este cancro.

Financiado em mais de 499 mil euros pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), ao abrigo do programa Norte 2020, o projeto integra também investigadores do Centro de Psicologia da Universidade do Porto (CPUP).

“É um projeto inovador porque juntamos pessoas ligadas à investigação laboratorial e clínica, com a componente de microbiologia, e pessoas ligadas à psicologia”, referiu Acácio Rodrigues, também professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

Partindo de uma abordagem psicossocial, os investigadores pretendem contribuir de “forma pioneira para o desenvolvimento científico e clínico” em diferentes áreas e dar resposta a um “grande problema de saúde observado na região Norte e à escala global, o aumento da prevalência do cancro da próstata”.

“A incidência do cancro da próstata tem vindo a subir percentualmente porque tem vindo, felizmente, a baixar um pouco (pelo menos nos países onde se está a reduzir o consumo do tabaco) a incidência de cancro do pulmão. Portanto, à medida que a esperança de vida vai aumentando, tende a ser quase como uma inevitabilidade biológica o cancro da próstata”, referiu Acácio Rodrigues.

O projeto, cujo investimento total ascende aos 588 mil euros, assenta em diferentes linhas de investigação, sendo que uma delas visa determinar se as doenças sexualmente transmissíveis causadas por agentes infecciosos podem contribuir para o desenvolvimento de células cancerígenas na próstata.

Outra linha de investigação assenta na recolha de informação sobre os fatores de risco e de proteção que têm impacto na saúde mental e sexual dos homens com cancro da próstata, como a disfunção sexual ou comportamentos sexuais de risco.

“É evidente que um homem, operado ou não, tem várias disfunções e algumas delas são sexuais até por razões fisiológicas e isso tem uma implicação muito grande na vida das pessoas, na saúde mental e no bem-estar”, afirmou o coordenador do grupo de investigação MicroMed, do CINTESIS.

Recorrendo a uma amostra composta “por uma centena de doentes” do Hospital de São João, Hospital Santo António e do Hospital de Braga, os investigadores vão também procurar biomarcadores envolvidos no desenvolvimento do cancro da próstata.

O intuito é que estes permitam o desenvolvimento de “novas ferramentas de diagnóstico e de terapias personalizadas inovadoras”.

Além destas linhas de investigação, o projeto visa também promover ações de disseminação científica e contribuir para o conhecimento científico e a sua translação para o domínio prático da prevenção e tratamento do cancro.

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INVESTIGADOR DA UMINHO DESCOBRE TRATAMENTO QUE RETARDA ENVELHECIMENTO DA COLUNA

Um investigador da Universidade do Minho (UMinho) descobriu um tratamento que retarda o envelhecimento dos discos da coluna vertebral, uma das principais causas do aparecimento de dor de costas, foi hoje anunciado.

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Um investigador da Universidade do Minho (UMinho) descobriu um tratamento que retarda o envelhecimento dos discos da coluna vertebral, uma das principais causas do aparecimento de dor de costas, foi hoje anunciado.

Em comunicado, o investigador e médico da UMinho Emanuel Novais explica que em causa está um tratamento com “drogas senolíticas”, que faz com que as células boas permaneçam e as “más” sejam eliminadas, acabando por atrasar a degeneração dos “discos”.

Para Emanuel Novais, as soluções e tratamentos atualmente disponíveis são “ainda escassos e nem sempre com os melhores resultados”.

“As soluções que temos disponíveis são a redução da dor com analgésicos ou, em casos mais graves, a intervenção cirúrgica. Ou seja, não há nenhum medicamento que possa impedir a evolução da doença e ser uma solução terapêutica”, refere.

O investigador, durante a sua tese de doutoramento e através de uma investigação na Universidade Thomas Jefferson (EUA), resolveu explorar diferentes formas de aliviar a degeneração do disco intervertebral.

Segundo diz, este foi o primeiro estudo a realizar um tratamento de longa duração com drogas senolíticas em ratinhos.

“Os resultados indicam que os animais tratados com estas drogas apresentam menor grau de degeneração do disco intervertebral com o envelhecimento. Além disto, tiveram melhorias significativas a nível da força muscular, inflamação no sangue e qualidade do osso. Por último, não observamos efeitos secundários que nos alertem para a falta de segurança no uso destas drogas”, afirma.

Para Emanuel Novais, a “grande chave” do projeto foram os fármacos senolíticos, mais especificamente um cocktail de duas substâncias (Dasatinibe e Quercetina), que permitiram remover e diminuir as células senescentes no disco e, desta forma, reduzir o stresse que estas células induziam localmente.

“Ou seja, ao fazer com que as células boas permaneçam e as ‘más’ sejam eliminadas, acabamos por atrasar a degeneração do disco”, acrescenta.

Emanuel Novais finalizou recentemente a sua tese de doutoramento, em que este trabalho também se enquadra, fruto do MD/PhD, um programa em que estudantes de Medicina da Universidade do Minho podem fazer uma pausa no curso e tirar um doutoramento em duas universidades estado-unidenses (Thomas Jefferson e Columbia), podendo terminar o curso como médicos e doutorados.

Emanuel Novais investigador da Universidade do Minho

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