NACIONAL
CRISE NA HABITAÇÃO “PRENDE” JOVENS A CASA DOS PAIS ATÉ QUASE AOS 30 ANOS
Dados do Eurostat relativos a 2024 mostram que os jovens portugueses só se tornam independentes, em média, aos 28,9 anos, o que faz de Portugal o sétimo país da União Europeia onde a emancipação é mais tardia. A média europeia situa-se nos 26,2 anos. O gabinete de estatística europeu atribui diretamente este fenómeno à crise e aos elevados custos da habitação.
Os jovens portugueses saem da casa dos pais, em média, aos 28,9 anos de idade, sendo os sétimos que mais tarde o fazem em toda a União Europeia. Os dados, divulgados esta terça-feira pelo Eurostat, confirmam o forte impacto da crise da habitação na emancipação da juventude em Portugal, que se torna independente quase três anos mais tarde do que a média europeia (26,2 anos).
No ‘ranking’ da emancipação tardia, Portugal surge atrás de países como a Croácia (líder, com 31,3 anos), a Eslováquia e vizinhos mediterrânicos como a Grécia, Itália e Espanha. No extremo oposto, estão os países nórdicos, com os jovens na Finlândia, Dinamarca e Suécia a saírem de casa por volta dos 21 anos.
“Numa altura em que os custos da habitação estão constantemente em debate público, os dados mostram que os jovens são um pouco mais afetados”, observa o Eurostat. Em Portugal, 8,4% dos jovens entre os 15 e os 29 anos vivem em agregados familiares com uma taxa de sobrecarga dos custos da habitação, ou seja, que gastam mais de 40% do seu rendimento disponível na casa.
A situação é particularmente grave em centros urbanos como Lisboa e Porto, onde a falta de oferta, a especulação imobiliária e a pressão do turismo têm feito disparar os preços. O Governo português tem implementado medidas de apoio e a própria Comissão Europeia reconhece os desafios, preparando um plano de resposta para a habitação a preços acessíveis.
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