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DEPRESSÃO KRISTIN: ALERTA MÁXIMO E ESTRADAS CORTADAS NO PAÍS

A tempestade Kristin atingiu Portugal com ventos de 160 km/h e deixou o litoral em alerta máximo. A Proteção Civil regista mais de 1.500 ocorrências e o corte de 14 estradas nacionais devido a inundações e quedas de árvores. Não há vítimas, mas o mau tempo persiste com neve e agitação marítima.

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Portugal Continental atravessa, desde a madrugada desta quarta-feira, 28 de janeiro, uma das situações meteorológicas mais severas deste inverno, provocada pela passagem da Depressão Kristin. O fenómeno, classificado tecnicamente pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) como uma “ciclogénese explosiva” — termo que designa uma queda abrupta e acentuada da pressão atmosférica num curto espaço de tempo —, atingiu o território nacional com um potencial destrutivo significativo, sucedendo às tempestades Joseph e Chandra que já haviam saturado os solos.

A depressão, que se desloca a uma velocidade média de 110 km/h, fez a sua entrada em terra (“landfall”) entre a Figueira da Foz e Vila do Conde, desencadeando condições extremas. Os registos oficiais apontam para rajadas de vento na ordem dos 140 a 160 quilómetros por hora, valores com capacidade para causar danos estruturais, particularmente no litoral Norte e Centro e nas terras altas. Paralelamente, a orla costeira enfrenta um cenário de agitação marítima violenta, com a ondulação a atingir picos máximos entre os 12 e os 14 metros, obrigando ao encerramento de barras e à proibição de circulação em zonas ribeirinhas expostas.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) elevou o estado de prontidão para o Nível 4 (o máximo da escala) numa vasta faixa que se estende de Viana do Castelo a Setúbal. Este nível implica a mobilização total e o pré-posicionamento de meios de socorro em locais estratégicos. Até às 22h00 de ontem, o balanço contabilizava já mais de 1.500 ocorrências, número que continua a crescer. As tipologias de incidentes mais frequentes incluem a queda de árvores de grande porte, inundações rápidas em meio urbano devido à forte precipitação e deslizamentos de terras, potenciados pela saturação dos solos.

As regiões da Área Metropolitana do Porto, o distrito de Coimbra e a zona do Oeste foram, até ao momento, as mais fustigadas. A Guarda Nacional Republicana (GNR) reportou constrangimentos severos na rede viária, com pelo menos 14 estradas nacionais cortadas ao trânsito. Entre os troços afetados destacam-se a EN 9-1 em Sintra, a EN 10 na região de Coimbra, a EN 262 em Setúbal e a EN 365 em Santarém, a maioria devido ao lençol de água ou desabamento de taludes.

Adicionalmente, a descida da temperatura trouxe a neve a quotas mais baixas, entre os 600 e os 800 metros, complicando a circulação nas vias do interior Norte e Centro. Apesar de a ANEPC ter registado apenas 48 novas ocorrências graves entre as 00h00 e as 07h00 de hoje, e de não haver registo de vítimas mortais, as autoridades mantêm os avisos vermelhos e laranjas ativos. A previsão aponta para uma estabilização progressiva a partir do final da manhã, mas o IPMA alerta que o mar continuará perigoso e o vento forte persistirá, recomendando à população que evite deslocações desnecessárias e zonas arborizadas.


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Redação

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