As seguradoras em Portugal detetaram 87 milhões de euros em fraudes durante o ano de 2024, um valor referente a indemnizações indevidas que acabaram por não ser pagas. Segundo a Associação Portuguesa de Seguradores, o ramo automóvel continua a ser o principal foco deste fenómeno ilícito.
O montante de 87 milhões de euros identificado pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS) representa uma poupança direta para o setor, resultante da evolução dos mecanismos de deteção e combate à fraude.
De acordo com dados avançados pelo Jornal de Notícias, foram identificados 154 mil sinistros suspeitos nos ramos de vida, acidentes de trabalho, acidentes pessoais, automóvel e multirriscos, o que representa um aumento de 13% face ao ano anterior. O segmento automóvel destaca-se como a área com maior incidência, registando mais de 13 mil casos de fraude comprovada, num valor estimado de 40 milhões de euros. A APS sublinha que a fraude organizada, envolvendo prestadores de serviços, é mais preocupante do que incidentes isolados de cidadãos comuns.
Além da simulação de acidentes, o crime pode ocorrer na fase de subscrição do contrato, através de falsas declarações sobre o risco ou o estado dos bens. A deteção assenta em sistemas de alerta que identificam padrões anormais, como a repetição de sinistros pela mesma pessoa. Contudo, as fraudes não detetadas acabam por ser suportadas pelos restantes segurados através do aumento dos preços dos seguros.
Legalmente, a burla relativa a seguros é punível com penas de prisão que podem chegar aos oito anos em casos de especial gravidade. Os seguros de saúde não foram incluídos nestas estatísticas devido à dificuldade de distinção entre abuso e fraude sistemática.


