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MIRANDA DO DOURO: NOVO ATAQUE DE LOBOS MATA BEZERRO RECÉM-NASCIDO

Um produtor de gado Limousine de Duas Igrejas denuncia que não será indemnizado pela morte de um vitelo, por este ter menos de um mês de vida, apesar de o seu valor de mercado ser muito elevado. O ataque, que o proprietário acredita ter sido feito por “pelo menos dois lobos”, ocorreu no sábado e agrava a situação de “calamidade” que os pastores do Planalto Mirandês têm vindo a denunciar. A queixa surge dias após o Governo ter anunciado a revisão das regras de indemnização.

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Os ataques de lobos no Planalto Mirandês continuam a causar prejuízos avultados, com o mais recente incidente a ocorrer no sábado, em Duas Igrejas (Miranda do Douro), onde um bezerro recém-nascido de raça Limousine foi morto. O proprietário, Eduardo Martins, lamenta não só o prejuízo, mas o facto de, alegadamente, não ir receber qualquer indemnização por o animal ser demasiado novo.

“O ataque deu-se no início da manhã de sábado. Fui alertado pelos cães […] Segui-os, quando me dei com o bezerro já com partes comidas pelos lobos”, relatou à Lusa o produtor pecuário, que cria 160 animais no Parque Natural do Douro Internacional (PNDI).

Eduardo Martins queixou-se de que “não vai receber nada pela morte do animal, porque ainda não tem um mês de vida”, apesar do elevado valor comercial da raça. “Esta animal nem por mil euros o vendia. Aos dois meses de idade, estes animais valem entre 2.000 a 2.500 euros”, destacou, sublinhando o “apego” à raça e os problemas que a morte do vitelo causa à vaca-mãe.

Este novo ataque agrava a tensão na região. Na semana passada, um grupo de pastores já tinha classificado a situação como uma “calamidade”, pedindo a intervenção do Governo. Os dados oficiais do ICNF, divulgados no início da semana, confirmavam 83 animais mortos em 22 ataques só entre o final de julho e o início de outubro.

A queixa de Eduardo Martins surge ironicamente poucos dias após o Governo ter aprovado, na passada quarta-feira, a revisão do regime de proteção do lobo ibérico. Na altura, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, anunciou a “alteração das regras de pagamento de indemnização” para “cuidar daqueles que sofrem” com os ataques, reconhecendo o crescimento do problema em Trás-os-Montes. O caso deste bezerro recém-nascido expõe, no entanto, as lacunas que os produtores temem que persistam.


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Redação

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