O presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, manifestou publicamente a sua frustração durante a reunião de câmara realizada na tarde de ontem, sublinhando a insuficiência das verbas transferidas pela administração central. De acordo com o autarca, quatro meses após a passagem da tempestade Kristin, que assolou o território na madrugada de 28 de janeiro, o concelho ainda apresenta estragos severos em infraestruturas críticas, vias rodoviárias e taludes.
Do montante total de prejuízos inventariados, que ascende a 16 milhões de euros, o Estado transferiu apenas cerca de um milhão de euros através de diferentes mecanismos. Deste valor, 250 mil euros foram canalizados para o apoio a 65 famílias cujas habitações permanentes foram afetadas. Adicionalmente, o município recebeu 300 mil euros da Agência Portuguesa do Ambiente e do Fundo Ambiental para intervenções urgentes na Ribeira de Rio de Moinhos e na barragem da Escola de Desenvolvimento Rural de Mouriscas. Os restantes 700 mil euros correspondem ao apoio geral à recuperação.
Valamatos criticou os critérios de distribuição de fundos definidos pelo Governo, alegando que os mesmos se baseiam excessivamente no número de primeiras habitações afetadas, descurando as especificidades de Abrantes, onde as cheias e a saturação dos solos provocaram danos estruturais em património público e privado de valor muito superior ao apoio concedido até à data.


