NACIONAL
QUASE METADE DOS ADULTOS SÓ COMPREENDE TEXTOS CURTOS E SIMPLES
O relatório “Education at a Glance 2025”, divulgado na segunda-feira, coloca Portugal como o segundo pior de 30 países avaliados na literacia de adultos. Cerca de 46% dos portugueses entre os 25 e 64 anos estão no nível mais baixo de proficiência (ou abaixo), um valor muito superior à média de 27% da OCDE. A falta de escolaridade é apontada como a principal causa.
Quase metade (46%) dos adultos portugueses, entre os 25 e 64 anos, só consegue compreender textos curtos e simples, um resultado que coloca Portugal na cauda dos países desenvolvidos em matéria de literacia. A conclusão é do relatório “Education at a Glance 2025”, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que posiciona o país como o segundo pior num conjunto de 30 nações avaliadas.
No inquérito às competências dos adultos (PIAAC), apenas o Chile apresentou resultados inferiores aos de Portugal. Enquanto em Portugal, 46% da população adulta se encontra no nível 1 (ou abaixo) de proficiência, a média dos países da OCDE é de apenas 27%. No extremo oposto, só 3% dos portugueses atingem os níveis mais elevados de literacia (4 e 5), em comparação com uma média de 12% na OCDE.
O relatório estabelece uma ligação direta entre o nível de escolaridade e as competências de literacia. Em Portugal, os adultos com ensino superior obtiveram, em média, quase 70 pontos acima daqueles que não concluíram o 12.º ano, demonstrando que a qualificação é um fator decisivo.
Os dados revelam ainda um ciclo vicioso: os adultos com melhores competências são os que mais procuram formação adicional. Em 2023, 80% dos adultos com elevada proficiência participaram em ações de formação, um contraste gritante com os apenas 22% registados entre aqueles com as competências mais baixas, o que dificulta a saída da armadilha da baixa qualificação.
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