INTERNACIONAL
SECAS E ONDAS DE CALOR VÃO AGRAVAR PREÇO DA COMIDA A NÍVEL MUNDIAL
Investigadores de Espanha, Alemanha e Reino Unido concluem que a degradação dos solos, causada por secas e chuvas intensas, tem um impacto direto no custo de vida. O preço do azeite subiu 50% na Europa e o do cacau 280% em África após eventos climáticos extremos.
A degradação dos solos, provocada por secas, ondas de calor e chuvas intensas, ameaça agravar ainda mais o aumento dos preços dos alimentos em todo o mundo. A conclusão é de um novo estudo internacional que estabelece uma ligação direta entre os fenómenos climáticos extremos e o custo de produtos como o azeite, o café ou o arroz.
O estudo “Extremos climáticos, aumento dos preços dos alimentos e riscos sociais mais abrangentes” apresenta casos concretos: a seca de 2022 e 2023 em Espanha e Itália resultou num aumento de 50% no preço do azeite no ano seguinte. Já as ondas de calor de 2023 e 2024 em África fizeram disparar o preço do cacau em 280% no Gana e na Costa do Marfim.
Mas não é só a falta de água que inflaciona os preços. As chuvas intensas têm um efeito semelhante. No Reino Unido, um inverno demasiado chuvoso fez o preço da batata subir 22%, enquanto as cheias de 2022 na Austrália levaram a uma subida de 300% no preço da alface.
“Temperaturas extraordinariamente altas aceleram diretamente o aumento do preço dos alimentos”, conclui o estudo. Os investigadores alertam que as consequências são visíveis a curto e longo prazo, pois a degradação dos solos torna as colheitas futuras mais fracas e mais vulneráveis a novas secas ou inundações, num ciclo vicioso.
Este estudo surge numa altura em que 2024 foi classificado pela Organização Meteorológica Mundial como o ano mais quente de sempre, tendo as temperaturas globais ultrapassado o limite de 1,5ºC definido no Acordo de Paris, o que antecipa a continuação destes fenómenos extremos.
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