O presidente do FC Porto, André Villas-Boas, defendeu esta segunda-feira a suspensão temporária de funções de Luciano Gonçalves, líder do Conselho de Arbitragem da FPF. O dirigente aponta uma crise de confiança no setor, apesar do recente arquivamento de um processo disciplinar no Conselho de Justiça.
No editorial da edição de julho da revista Dragões, André Villas-Boas defendeu que o presidente do Conselho de Arbitragem, Luciano Gonçalves, deve suspender temporariamente as suas funções. Esta posição surge num contexto de suspeitas sobre irregularidades no processo de nomeações de árbitros, que o líder portista considera estarem a gerar uma crise institucional profunda no setor antes do início da nova época desportiva.
Para Villas-Boas, esta suspensão não constitui uma antecipação de culpa, mas sim um mecanismo de proteção para o próprio dirigente e para a instituição que representa. O presidente do FC Porto sublinhou que a desconfiança instalada na liderança da arbitragem não foi dissipada pelo recente arquivamento de um processo disciplinar no Conselho de Justiça da FPF. Esse processo, iniciado após denúncia de Duarte Gomes, concluiu não haver prova suficiente de interferência indevida, embora tenha confirmado a troca de mensagens.
O dirigente reforçou ainda a necessidade de uma intervenção direta da Federação Portuguesa de Futebol, argumentando que a situação não pode ser minimizada como uma divergência interna. A par do processo disciplinar arquivado, decorrem diligências por parte da Polícia Judiciária e do Ministério Público, relacionadas com eventuais crimes de corrupção e tráfico de influências nas nomeações, factos que exigem um apuramento célere e rigoroso por parte das autoridades competentes.


