NACIONAL
XAVIER VIEGAS ALERTA: “PODE SER MAIS GRAVE QUE 2017” – INCÊNDIOS
Domingos Xavier Viegas, da Universidade de Coimbra, avisa que os indicadores de seca e de humidade dos combustíveis florestais são iguais ou piores que os do ano das grandes tragédias, apelando a “muito cuidado” por parte da população para evitar novas ignições.
O especialista em fogos florestais Domingos Xavier Viegas alertou, esta terça-feira, que o ano de 2025 está, em termos meteorológicos, “muito próximo dos piores anos” de que há registo e poderá ser “mais grave” do que 2017, ano dos trágicos incêndios de Pedrógão Grande e de outubro. O diretor do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais (CEIF) da Universidade de Coimbra baseia o seu aviso em indicadores de seca do solo e de humidade da vegetação “extremamente baixos”.
Em declarações à agência Lusa, Xavier Viegas explicou que, com base em dados recolhidos na região Centro, o índice que mede a secura do solo “tem vindo a aumentar a uma taxa igual ou superior à que aumentou em 2017”. A situação é agravada pela falta de chuva há várias semanas, que deixa os combustíveis florestais cada vez mais disponíveis para arder.
As medições do teor de humidade da vegetação confirmam o cenário de perigo extremo. “Os dados que os meus colegas me facultaram indicam teores de humidade da ordem dos 4 ou 6%, que são valores que indicam um índice de perigo extremo”, apontou, acrescentando que a humidade dos arbustos está “entre os 5% mais baixos desde que temos registo há mais de 20 anos”.
O especialista admitiu que as chuvas do início do ano possam ter agravado a situação, ao fazer crescer muita vegetação que agora se encontra seca. Embora os seus dados sejam da região Centro, Viegas acredita que as condições no interior norte e no sul do país possam ser “em termos relativos até piores”. Perante este cenário “bastante mau”, o especialista apelou para que haja “muito cuidado da parte das pessoas” para evitar novas ignições, lamentando que continuem a surgir focos de incêndio diariamente, o que considerou “perfeitamente inexplicável”.
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