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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA LIDERA CRIMES CONTRA PESSOAS IDOSAS APOIADAS PELA APAV

Entre janeiro e agosto deste ano, a APAV prestou assistência a 1.733 idosos em Portugal, sendo quase três quartos mulheres, num quadro criminal dominado pela violência doméstica e por agressões cometidas no ambiente familiar, segundo o relatório oficial.


Entre janeiro e agosto de 2026, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) prestou apoio a 1.733 pessoas idosas em Portugal. Os dados constam das estatísticas divulgadas pela associação referentes ao período homólogo, evidenciando que a maioria das vítimas é do sexo feminino e que a violência doméstica continua a liderar as tipologias de crime registadas.

De acordo com o perfil demográfico divulgado, 74,7% das pessoas idosas apoiadas são mulheres (1.294 casos), enquanto os homens representam 22,4% (389 casos), registando-se ainda 0,2% sob a categoria “outro” e 2,7% sem informação associada. No que respeita à distribuição etária, a faixa dos 65 aos 69 anos concentra o maior número de registos (457 pessoas), seguindo-se o escalão dos 70 aos 74 anos (428 pessoas), o dos 75 aos 79 anos (320 pessoas), o dos 80 aos 84 anos (251 pessoas), o dos 85 aos 89 anos (168 pessoas) e, por fim, o grupo de 90 ou mais anos de idade, com 109 pessoas.

O relatório contabiliza um total de 1.927 crimes e formas de violência exercidos sobre este grupo etário, uma vez que cada pessoa apoiada pode ter sido vítima de mais do que um ato em simultâneo. A violência doméstica surge na origem de 55,3% das situações. A lista de ocorrências inclui ainda ameaça ou coação (5,8%), burla (4,5%), ofensas à integridade física (4,4%), difamação ou injúria (3,2%), maus-tratos no âmbito de violência institucional (1,9%), além de outras formas de violência (10,9%) e casos em que ainda não foi possível apurar a tipologia (14%).

Geograficamente, a atividade de apoio abrangeu os 18 distritos de Portugal continental e as duas regiões autónomas, cobrindo 186 dos 308 municípios existentes no país (o equivalente a 60,4%). Os distritos de Lisboa (322 casos, correspondentes a 18,6%) e de Braga (291 casos, ou 16,8%) concentram a maior fatia das vítimas acompanhadas pela instituição.

No que concerne ao perfil das pessoas agressoras, foram contabilizados 1.736 indivíduos, destacando-se o género masculino com 58,5% (1.016 pessoas) e o feminino com 26% (450 pessoas). As relações de consanguinidade e de intimidade marcam o enquadramento relacional entre as partes: os filhos ou mães/pais representam 33,8% dos vínculos (636 registos), enquanto os cônjuges totalizam 19,6% (370 registos). Os atos violentos ocorreram predominantemente na residência comum (42,2%) ou na residência exclusiva da pessoa idosa (12,1%).

Relativamente à formalização de denúncias junto das autoridades judiciárias e policiais, verifica-se que 36,48% dos casos foram denunciados, 25,58% não o foram, mantendo-se 37,93% sem informação registada. Entre os principais motivos apontados para a ausência de denúncia encontram-se o medo (14,6%), a dependência afetiva face ao agressor (9,1%), o desconhecimento de direitos (7,9%) e a vergonha (7,1%).

A APAV disponibiliza apoio através da Linha de Apoio à Vítima (116 006), com funcionamento gratuito em dias úteis das 08h00 às 23h00.

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