CIÊNCIA & TECNOLOGIA
CIÊNCIA: IMPLANTE OCULAR DEVOLVE CAPACIDADE DE LEITURA A CEGOS
Um microchip implantado sob a retina, combinado com óculos especiais, está a permitir que pacientes cegos devido a uma forma avançada de degenerescência macular (atrofia geográfica) recuperem parcialmente a visão central e voltem a ler. A tecnologia “Prima”, desenvolvida pela empresa Second Sight, obteve resultados promissores num ensaio clínico europeu, com 27 dos 32 pacientes a conseguirem ler novamente.
Uma nova esperança para milhões de pessoas cegas devido à degenerescência macular relacionada com a idade (AMD): um implante ocular revolucionário, chamado Prima, está a permitir que pacientes recuperem parcialmente a visão central e voltem a ler. A tecnologia inovadora, que combina um microchip fotovoltaico com óculos especiais, obteve resultados animadores num ensaio clínico internacional.
A atrofia geográfica (GA), uma forma avançada de AMD seca, destrói gradualmente as células da retina central, levando à perda da visão de detalhe e cor. O implante Prima combate este problema através de um microchip de 2 mm², com a espessura de um fio de cabelo, inserido sob a retina. O paciente usa óculos com uma câmara que envia imagens via infravermelho para o chip. Estas são processadas e otimizadas por um dispositivo portátil antes de serem enviadas de volta ao chip, que estimula o nervo óptico, enviando sinais visuais ao cérebro.
O processo exige meses de treino, pois a perceção visual gerada é diferente da visão natural. No entanto, os resultados do ensaio clínico, que envolveu 38 pacientes em cinco países europeus, são promissores: 27 dos 32 que receberam o implante conseguiram voltar a ler através da visão central recuperada, melhorando, em média, cinco linhas de leitura após um ano.
A BBC destacou o caso de Sheila Irvine, uma britânica de 70 anos que perdeu a visão central há mais de 30 anos. Antes incapaz de ler sinais de rua, Sheila consegue agora ler cartas, livros e até fazer palavras-cruzadas, embora necessite de grande concentração.
A tecnologia Prima ainda não está licenciada e não há previsão de custos, mas espera-se que possa estar disponível no sistema público de saúde britânico (NHS) nos próximos anos. Os especialistas acreditam que a tecnologia poderá ser adaptada a outras doenças da retina, mas não é eficaz para cegueira congénita, pois requer um nervo óptico funcional.
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