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DEGELO ABRANDOU NO ÁRTICO, MAS CIENTISTAS AVISAM: “É UM ALÍVIO TEMPORÁRIO”

Um novo estudo revela que a perda de gelo marinho no Ártico estagnou desde 2005, provavelmente devido a variações naturais nas correntes oceânicas. No entanto, os investigadores alertam que o degelo vai recomeçar de forma acelerada e que a crise climática é “inequivocamente real”.

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O degelo do gelo marinho no Ártico abrandou drasticamente nas últimas duas décadas, sem que se tenha registado um declínio estatisticamente significativo desde 2005, revela um novo estudo científico. A descoberta, considerada “surpreendente”, é atribuída a variações climáticas naturais que estão a mascarar os efeitos do aquecimento global, tratando-se apenas de um “alívio temporário”.

A investigação, publicada na revista Geophysical Research Letters, é paradoxal, uma vez que neste período as emissões de carbono e as temperaturas globais continuaram a aumentar. Os cientistas acreditam que flutuações naturais nas correntes dos oceanos Atlântico e Pacífico alteraram a quantidade de água quente que chega ao Ártico, compensando temporariamente o aquecimento.

No entanto, os especialistas são unânimes em sublinhar que isto não significa uma recuperação. A área de gelo marinho em setembro, o seu mínimo anual, já diminuiu para metade desde 1979. Além disso, o gelo está cada vez mais fino. “Sabemos que a camada de gelo marinho do Ártico também está a estreitar e, portanto, mesmo que a área não estivesse a diminuir, o volume ainda está”, explicou o professor Andrew Shepherd, da Universidade de Northumbria.

Os investigadores preveem que este “alívio temporário” termine nos próximos cinco a dez anos, altura em que o degelo deverá recomeçar a um ritmo duas vezes superior à taxa de longo prazo. Os cientistas fazem questão de frisar que “as alterações climáticas são inequivocamente reais, impulsionadas pelo homem e continuam a representar sérias ameaças”, sendo crucial explicar esta pausa para evitar que os dados sejam usados de “má-fé” para minar a ciência climática.


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