NACIONAL
EDUCAÇÃO: FALTA DE PROFESSORES PENALIZA ALUNOS DO SUL DO PAÍS
A Missão Escola Pública alerta que, enquanto a norte as vagas são preenchidas por docentes profissionalizados, a sul as escolas recorrem cada vez mais a contratados sem formação em ensino para resolver o problema. A Fenprof, por sua vez, estima que haja ainda cerca de 100 mil alunos sem todas as aulas. Os sindicatos consideram as medidas do Governo “insuficientes” para resolver o problema estrutural.
A falta de professores está a criar uma “escola pública a duas velocidades” em Portugal, com os alunos do Norte a terem aulas com docentes profissionalizados e os do Sul a ficarem entregues a “recursos humanos sem formação em ensino”. O alerta foi deixado esta sexta-feira pela Missão Escola Pública, que acusa a situação de comprometer gravemente a “equidade no acesso à educação”.
A análise do movimento cívico, baseada nos dados das últimas colocações de professores, mostra que para disciplinas como Matemática ou Português “ninguém foi colocado a sul do Tejo” através do concurso nacional. A situação leva a que as escolas das zonas de Lisboa, Península de Setúbal e Algarve recorram massivamente à contratação direta de pessoal não qualificado para assegurar o funcionamento das aulas.
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) agrava o cenário, estimando que, no total, ainda haja cerca de 100 mil alunos sem professor a todas as disciplinas no país, metade dos quais no 1.º ciclo. Tanto a Missão Escola Pública como os sindicatos consideram que as soluções apresentadas pelo Governo no pacote “Mais Aulas Mais Sucesso” são meros “remendos”. A Fenprof classificou as medidas como “insuficientes”, afirmando que “não é com pequenas medidas de emergência que o problema estrutural da falta de professores seja superado”.
Perante este cenário, a Missão Escola Pública exige que o ministro da Educação, Fernando Alexandre, divulgue o número exato de contratos celebrados com pessoal não profissionalizado e as zonas do país onde estão a ser colocados. “Só assim será possível avaliar a verdadeira dimensão da desigualdade e agir”, defende o movimento.
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