O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou esta noite para uma onda global de contestação popular provocada pelo agravamento do custo de vida e intensificada por focos armados, instando os decisores políticos a corrigirem com urgência as disparidades sociais.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, lançou esta noite um alerta enfático quanto ao crescimento de uma vaga internacional de manifestações cívicas e contestação motivada pelo agravamento acentuado do custo de vida e pela subida geral dos preços dos bens essenciais. O diplomata português considerou que as populações de múltiplos continentes estão a reagir à degradação expressiva das condições materiais das suas famílias.
Numa declaração pública dirigida aos órgãos de comunicação, Guterres traçou um diagnóstico sombrio do contexto planetário, afirmando que a comunidade internacional enfrenta uma dinâmica destrutiva em que conflitos geopolíticos agravam de forma direta o sufoco financeiro das classes laboriosas. O secretário-geral da ONU descreveu o fenómeno como uma espiral de perturbação onde tensões localizadas propagam instabilidade inflacionista e energética a milhares de quilómetros.
Para contrariar a desagregação da paz social, António Guterres instou os governos e decisores económicos a adotarem medidas estruturais para combater a espiral das desigualdades e proteger os setores mais vulneráveis. O antigo primeiro-ministro português realçou que a ausência de soluções políticas justas favorece o radicalismo e fomenta protestos de massas, como os que se têm multiplicado em vários países ocidentais em defesa do direito à habitação e de salários condignos.


