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JOÃO RENDEIRO: SUICÍDIO UMA SEMANA ANTES DA SESSÃO PREPARATÓRIA DO JULGAMENTO

A morte do ex-presidente do BPP João Rendeiro ocorre quando faltava apenas uma semana para a sessão preparatória para o julgamento do processo de extradição para Portugal, que estava agendado para decorrer entre 13 e 30 de junho.

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A morte do ex-presidente do BPP João Rendeiro ocorre quando faltava apenas uma semana para a sessão preparatória para o julgamento do processo de extradição para Portugal, que estava agendado para decorrer entre 13 e 30 de junho.

No próximo dia 20, a defesa de João Rendeiro na África do Sul, a cargo da advogada June Marks, e os responsáveis do Ministério Público sul-africano (National Prosecuting Authority – NPA) iriam encontrar-se para acertar os últimos aspetos antes do julgamento, como a indicação de testemunhas.

O antigo presidente do BPP morreu hoje na prisão de Westville, onde foi encontrado enforcado, segundo adiantou primeiro a CNN e confirmou à Lusa a advogada do ex-banqueiro. June Marks acrescentou ainda que “as autoridades estão a investigar as circunstâncias” do que aconteceu.

Em abril, a mandatária de João Rendeiro revelou que o ex-banqueiro lhe disse que “aguardava o julgamento com expectativa”, assegurando então que ele estava “bem” e que não houve uma deterioração das condições da prisão de Westville, sobre a qual chegaram a apresentar em janeiro uma carta para as Nações Unidas (ONU) a denunciar as condições “terríveis” e a violação de direitos humanos naquele estabelecimento prisional.

Após a detenção, em dezembro de 2021, o processo teve diversas sessões, logo em dezembro e janeiro no tribunal de Verulam. O caso ficou marcado por um incidente com os documentos que tinham vindo de Portugal e que, ao serem abertos em tribunal, verificou-se que a fita vermelha e verde que selava o conjunto de documentos em português enviados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) estava quebrada.

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Os documentos foram enviados da África do Sul para Portugal em meados de fevereiro, com a Procuradoria-Geral da República (PGR) a confirmar em 25 de março que as autoridades sul-africanas já tinham recebido a documentação solicitada.

“Concluída a verificação de toda a documentação relativa ao pedido formal de extradição de João Rendeiro, o processo foi transmitido, por via diplomática, tendo sido recebido, hoje, pelas autoridades sul-africanas”, informou a PGR.

No final do mês passado, foi conhecida através do jornal Público a junção ao processo de João Rendeiro de dois documentos médicos que atestavam que o ex-banqueiro padecia de problemas de saúde, mais precisamente, cardiopatia reumática. A situação originou um pedido de esclarecimento das autoridades sul-africanas às congéneres portuguesas, que revelaram que Rendeiro nunca alegou problemas de saúde nos processos em que foi julgado.

“Nunca foi invocada pelo arguido João Rendeiro, em alguma das diversas fases do processo, qualquer patologia médica que o afetasse”, pode ler-se na informação do Juízo Central Criminal de Lisboa enviada ao Departamento de Cooperação Judiciária e Relações Internacionais da PGR.

No entanto, a advogada do ex-banqueiro desvalorizou a polémica em torno desses documentos, sobretudo porque um relatório médico a atestar o problema cardíaco estava assinado por um psiquiatra, e afiançou à Lusa que tal não seria utilizado em tribunal no âmbito do processo de extradição.

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Detido em 11 de dezembro na cidade de Durban, após quase três meses fugido à justiça portuguesa, João Rendeiro foi, então, presente ao juiz Rajesh Parshotam, do tribunal de Verulam, que lhe decretou no dia 17 de dezembro a medida de coação mais gravosa, colocando-o em prisão preventiva no estabelecimento prisional de Westville.

O ex-banqueiro foi condenado em três processos distintos relacionados com o colapso do BPP, tendo o tribunal dado como provado que retirou do banco 13,61 milhões de euros. Das três condenações, apenas uma já transitou em julgado e não admite mais recursos, com João Rendeiro a ter de cumprir uma pena de prisão efetiva de cinco anos e oito meses.

João Rendeiro foi ainda condenado a 10 anos de prisão num segundo processo e a mais três anos e seis meses num terceiro processo, sendo que estas duas sentenças ainda não transitaram em julgado.

O colapso do BPP, em 2010, lesou milhares de clientes e causou perdas de centenas de milhões de euros ao Estado.

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GUERRA CIBERNÉTICA ENTRE A RÚSSIA E UCRÂNIA ASSUMIU NOVAS ESTRATÉGIAS

A guerra cibernética tem sofrido mutações nas últimas semanas e os ataques intensos e indiscriminados do início da invasão russa da Ucrânia foram substituídos por uma estratégia focada em setores vitais nas sociedades dos dois países, indica um estudo.

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A guerra cibernética tem sofrido mutações nas últimas semanas e os ataques intensos e indiscriminados do início da invasão russa da Ucrânia foram substituídos por uma estratégia focada em setores vitais nas sociedades dos dois países, indica um estudo.

O estudo, elaborado pela VisionWare Threat Intellingence Center (VTIC), que a representação portuguesa da instituição disponibilizou à agência Lusa, indica que, apesar de uma redução no número de ataques, “estes são cada vez mais direcionados e disruptivos”.

“Os danos causados não afetam apenas o ciberespaço, mas causam também problemas em outros serviços. Os setores mais visados têm sido os da energia, das telecomunicações e as instituições financeiras”, disse à Lusa Bruno Castro, CEO da VisionWare e responsável pela área Strategic Intelligence.

“Além dos graves danos causados, os ataques visam frequentemente desferir golpes, afetando a confiança nestas instituições, e recolher informações pessoais e de localização”, acrescentou.

O relatório, dedicado à temática sobre “A Evolução da Ciberguerra no Conflito Rússia/Ucrânia”, sublinhou Bruno Castro, pretende dar a conhecer que a guerra cibernética tem vindo a sofrer “mutações visíveis nas últimas semanas”.

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“Os ataques são cada vez mais disruptivos e demonstram a existência de um maior planeamento e estratégia por parte de ‘hackers’ [piratas informáticos] altamente profissionalizados e ultrapassam a negação de serviço a ‘websites’, havendo disrupção total de infraestruturas e afetando a credibilidade das instituições visadas”, frisou.

Bruno Castro adiantou que se verifica “tendencialmente” uma maior capacidade de resposta da Ucrânia na sua contraofensiva, em que os ataques de Kiev “têm um envolvimento direto das organizações de ‘Intelligence’ estatais”.

“O mesmo não se pode afirmar sobre os ataques russos. Apesar de não haver uma ligação clara entre os piratas informáticos e os serviços secretos russos, é visível um alinhamento ideológico dos principais grupos atuantes com os objetivos estratégicos de Moscovo. A dimensão dos danos causados à Rússia é de difícil análise, uma vez que a informação divulgada é fortemente censurada”, sublinhou.

Entre dezembro de 2023 até ao final de janeiro passado, referiu Bruno Castro, a Kyivstar, gigante das telecomunicações ucraniana, foi uma das empresas atacadas, tendo sido apagados “milhares de servidores virtuais e computadores”, deixando milhões de clientes sem acesso à internet e à rede telefónica, aparentemente “destruindo completamente” o núcleo do operador de telecomunicações.

A VTIC suspeita que o ataque tenha sido levado a cabo pela Sandworm, uma unidade de ciberguerra dos serviços secretos militares russos.

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Em resposta, ‘hackers’ do grupo Blackjack, associados à Agência de Espionagem Ucraniana (SBU), “atacaram os sistemas informáticos de um fornecedor de internet russo, a M9 Telecom, que, na sequência do ataque, levou a que alguns residentes de Moscovo perdessem o acesso à internet”.

“Já este ano, a empresa energética ucraniana Naftogaz sofreu um ciberataque a uma das suas bases de dados. O ‘website’ da empresa e o seu ‘call center’ ficaram inoperativos. Adicionalmente, a agência de transporte responsável pela segurança nas travessias na fronteira ucraniana Ukrtransbezpeka, viu o seu ‘data center’ comprometido”, acrescenta-se no documento.

Segundo a VTIC, as instituições financeiras também têm sido fortemente visadas. A 19 de janeiro, o banco ‘online’ ucraniano Monobank sofreu um dos seus maiores ataques ‘DDoS’ de sempre, nas palavras do CEO, com 580 milhões de ‘services requests’ durante três dias, “deixando inativos alguns dos seus serviços”. O banco é frequentemente usado na recolha de donativos para o exército ucraniano nas redes sociais.

Além das empresas ligadas às telecomunicações, energia, banca, transportes e armazenamento de dados, realçou Bruno Castro, foram afetados pelos ataques cibernéticos vários serviços governamentais, públicos e postais, centros de investigação e as próprias forças armadas ucranianas.

Os ataques a instituições ucranianas, segundo o relatório da VTIC, foram perpetrados por uma coligação de diferentes grupos de ‘hackers’ russos, como o 22C, Skillnet, CyberDragon, Federal Legion, Peoples Cyber Army, Phoenix e NoName, bem como pelo Russian Cyber Army, havendo ainda outros cuja autoria é inconclusiva.

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No sentido inverso, a contraofensiva ucraniana foi protagonizada por sobretudo pela diretoria principal da Inteligência ucraniana e por um grupo de ‘hackers’, como o Blackjack, que visaram serviços governamentais e públicos, telecomunicações, centros de investigação e ainda o exército russo.

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GUERRA: 630 MIL CRIANÇAS ENFRENTAM NECESSIDADES EXTREMAS NA UCRÂNIA

A organização Save the Children denunciou hoje que cerca de 630 mil crianças ucranianas que regressaram a casa desde o início da invasão russa enfrentam “necessidades extremas” que colocam em risco as suas vidas.

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A organização Save the Children denunciou hoje que cerca de 630 mil crianças ucranianas que regressaram a casa desde o início da invasão russa enfrentam “necessidades extremas” que colocam em risco as suas vidas.

A Save the Children recordou que 15 milhões de pessoas fugiram das suas casas desde o início da invasão russa — que este sábado cumpre dois anos – e afirmou que esta foi a crise de deslocamento “mais rápida” na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Neste momento, 6,3 milhões de ucranianos são refugiados no estrangeiro e 3,7 milhões estão deslocados dentro do país.

Mais de 4,5 milhões de pessoas deslocadas regressaram às suas casas, incluindo 1,1 milhões de crianças e, deste número, mais de 600 mil regressaram a situações de pobreza e perigo, enquanto 360 mil regressaram às províncias afetadas pela guerra ou localizadas na linha da frente dos combates, incluindo Dnipro, Kharkiv, Mykolaiv, Odessa e Sumi.

A organização não-governamental (ONG) explicou que a condição de “necessidade extrema” é a segunda categoria de necessidade mais elevada, realizada com base em dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

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“As crianças da Ucrânia suportaram dois longos anos de violência e destruição”, disse a diretora da ONG na Ucrânia, Sonia Kush, que acrescentou que “muitas famílias foram forçadas a abandonar as suas casas em busca de segurança”.

“Para elas, nenhum lugar é como a casa. Devemos respeitar o seu desejo de estar onde pertencem”, argumentou Kush, descrevendo como essencial ajudar as comunidades afetadas pela guerra a reconstruírem-se e a recuperarem para que “as famílias tenham ferramentas para retomarem as suas vidas”.

A ONG apelou às partes em conflito para que cumpram as suas obrigações ao abrigo do direito internacional e protejam os civis, parem de usar armas em áreas povoadas e concedam acesso humanitário claro e sem entraves às famílias encurraladas pela guerra.

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