A ex-comissária europeia Elisa Ferreira alertou que Portugal desenvolveu uma habituação excessiva à receção de fundos comunitários. A economista defende que o debate nacional se foque na qualidade das políticas públicas e não na execução financeira ou na devolução de verbas.
A ex-comissária europeia com a pasta da Coesão e Reformas, Elisa Ferreira, aproveitou a sua intervenção na conferência sobre coesão territorial para deixar um aviso sobre o modelo de desenvolvimento adotado em Portugal. O evento, realizado no Porto e organizado pela agência Lusa e pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, serviu para a antiga ministra assinalar que o país se habituou ao conforto de receber injeções contínuas de fundos europeus.
Na sua perspetiva, a narrativa institucional portuguesa tem estado focada no aspeto quantitativo dos montantes financeiros e frequentemente dominada pelos receios acerca da eventual devolução de verbas não utilizadas no calendário previsto. Elisa Ferreira defendeu que esta mentalidade necessita de uma alteração profunda. O contexto internacional atual e os desafios socioeconómicos exigem que a sociedade escrutine a essência das políticas públicas de desenvolvimento e não apenas o dinheiro disponibilizado por Bruxelas.
Para garantir a prosperidade estrutural, a ex-comissária advertiu que é imprescindível assegurar que cada euro captado do orçamento da União Europeia seja aproveitado com o máximo de eficácia. O objetivo principal do Estado e do tecido empresarial tem de ser a adição de valor tangível à economia, o incremento das qualificações técnicas dos trabalhadores e a promoção de saltos tecnológicos nas empresas lusas, visando uma concorrência forte e robusta a nível internacional.


